Watchmen finaliza com perfeição sua temporada

Iniciando bastante polêmicam pelo público em geral, além de não trazer muitas respostas claras para nada, Watchmen talvez tenha sido uma das séries de maior barulho no ano de 2019. Feita pela HBO e criada por Damon Lindelof, reconhecido por trabalhos como Lost e The Leftlovers, a produção é uma continuação direta da HQ, buscando reverberar certos pontos presentes ali no presente. Com personagens enigmáticos desde sempre era uma oportunidade ímpar ter essa continuação, visto que as tentativas no meio dos quadrinhos de realizar isto não surtiram tanto efeito.

Na história acompanhamos uma loucura só. A protagonista em si é Angela Abar (Regina King), mais famosa sob a alcunha de sua identidade secreta, Sister Night. Ela trabalhava no departamento de polícia, mas acaba resolvendo combater o crime com as próprias mãos. Nesse meio, conflitos raciais são colocadas a prova quando um grupo de supremacistas brancos, inspirados pela ideias de Roschach, rememora os conflitos de Tulsa nos anos 20, na qual negros foram simplesmente massacrados por milicias racistas. Porém, isso ainda reverbera na atualidade com um turbilhão de sensações nesse meio urbano. Respostas é que, na realidade, estão mais escassas.

Lindelof parece olhar até com um certo ar de graça a toda a política dos últimos anos pelo mundo. Mortes, atentados, um certo ambiente de mal-estar, tudo presente nesse pedido. Com essas questões, ele traça um universo paralelo dessa cidade como também confusa, até bastante cansada por ter que realizar todo mesmo ano as relações em torno dos políticos, sendo o principal deles Robert Redford – sim, aquele ator teoricamente tornou-se o presidente aqui. Todavia, ao pôr esses elementos, poderíamos estar relacionados a uma trama até quase genérica, o que não é o caso aqui. A tensão mistura-se a uma sensação de confusão, porém curiosidade, durante todos os 9 episódios.

Ao fim, algumas perguntas que são REALMENTE respondidas. Outras ficam apenas para o pensamento do público, como a figura do homem escorregador (a curiosidade era grande). Aliás, a grande cena final dessa temporada, na qual pode ser a única, causa já essa expectativa de entender ou não algo ali presente. Todo o ápice do episódio derradeiro traz algumas resoluções de casos explícitados desde o capítulo inicial. É nessa tendência que Watchmen busca sua cara própria, trazendo uma resolução racial extremamente complexa a períodos atuais, especialmente com a força do retorno da Ku Klux Klan e do fascismo. Definitivamente, Alan Moore, que nunca foi realmente feliz com as adaptações de suas obras, deve estar, ao menos, esboçando um sorriso.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *