A apatia em X-Men: Fênix Negra

A saga X-Men nos cinemas remonta a um período anterior ao sucesso que os heróis desfrutam atualmente. Toda a sua trilogia dos anos 2000, comandada por Bryan SingerBrett Ratner, trazia algo de novo na abordagem. Após um certo sucesso comercial e de críticas, o resto acabou sendo história, trazendo desde a trilogia do Batman até a franquia do Marvel Studios. Passados 19 anos desse acontecimento, X-Men: Fênix Negra aparece para encerrar todo o legado trazido pelos mutantes e deixar os personagens seguirem seu rumo a Disney, fazendo em breve parte do MCU. Em um filme que se propõe a ser totalmente épico para finalizar o ciclo, a apatia prevalece aqui.

Na história, estamos no ano de 1992. Charles Xavier (James McAvoy) busca fazer as pazes dos mutantes com o povo americano, tentando trazer uma verdadeira imagem de heróis, mesmo sob reclamações de Mística (Jennifer Lawrence). No meio dessas questões, ele manda uma parte da equipe dos X-Men para uma missão no espaço, em busca de salvar alguns astronautas de uma missão fracassada. Porém, uma força poderosa acaba entrando no corpo de Jean Grey (Sophie Turner) fazendo com que seu passado venha a tona e problemáticas aconteçam.

Em seu primeiro trabalho na direção, o experiente roteirista Simon Kinberg acaba buscando uma criação de mundo bastante confusa. Não em sentido pejorativo, mas estético. Talvez a maior força direta disso seja nos momentos de Xavier entrando na cabeça de Jean e nas confusões mentais da própria personagem título do longa. Nesses instantes, a busca por um uso de uma câmera transitória (sempre andando ao lado), além da troca de focos, buscam uma exploração máxima dessa própria confusão de Grey. É funcional até por ir em um caminho mais sensorial do que mesmo uma exposição mais direta. Essa criação da encenação soando mais como um artifício básico mesmo, pelo seu uso meio inconstante, especialmente do fim do segundo ato e todo o terceiro.

Kinberg também aposta em dar um enfoque gigantesco à protagonista. É interessante sua busca por não explorar muito um desenvolvimento passado de alguns outros personagens secundários, todavia entender quem é Jean Grey. A cena inicial e toda a construção do primeiro ato se baseia em entendermos quais são suas questões, na qual acabam por perpassar em boa parte da continuidade da trama – principalmente toda a problemática com o pai. O diretor, do mesmo modo, gosta de colocar ela de forma a ser um elemento central em seus planos para mostrar sua importância narrativa. O maior destaque para isso é encontrado nos planos mais abertos, quando é possível ver Fênix Negra centralizada em grande parte deles.

Mesmo sabendo colocar bem alguns elementos dos personagens, a narrativa de toda a produção é perdida em boa parte do tempo. Se, a priori, existe uma correlação intrigante de forças e um entendimento base desse universo, tudo parece querer se corromper de maneira abrupta. Um grande exemplo disso está concentrado na participação de Lilandra (Jessica Chastain). A tentativa de colocar um novo elemento dentro de uma história que possui já uma intriga bastante clara, coloca só mais um empecilho de desenvolvimento. Dessa forma, todo esse arco da personagem e de alguns dos seus ajudantes – feito em apenas um diálogo – se transforma no grande ápice dramático. E, acrescentando nisso, a resolução transforma tudo em uma extrema bagunça.

No fim, X-Men: Fênix Negra segue bastante o destino de seus antecessores (Apocalipse e Dias de Um Futuro Esquecido). Apesar de conseguir trabalhar bem no início suas intenções e a direção de Simon Kinberg expressar na encenação toda uma relação intrínseca a personagem título, o entorno do filme parece estar perdido. A apatia, dessa forma, ganha uma força desproporcional, algo expresso nas mornas sequências de ação, que buscam reforçar apenas papéis já estabelecidos antes. Há uma tentativa de um esforço por parte da narrativa de ir até o limite nisso, causando algumas interessantes consequências mais trágicas. Entretanto, isso acaba tornando muito mais perene do que deveria em um longa com as temáticas sempre abordadas pelos mutantes.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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