A Guerra dos Sexos é um filme para ganhar o Oscar, mas não que isso seja ruim

É chegada a época do ano em que um grande número de filmes que estarão nas premiações do próximo são lançados e extremamente divulgados, principalmente no meio da Academia. Sejam eles diferentes ou extremamente formuláicos, a verdade é que os fãs da sétima arte amam esse momento. Sendo assim, A Guerra dos Sexos chega para ser um dos primeiros desses grandes concorrentes e, mesmo sendo um longa bastante comum na narrativa e cinematograficamente, ele é muito gostoso de se assistir.

A obra conta a história de uma das disputas de tênis mais famosas da história: entre o ex-campeão Bobby Riggs e a líder dos torneios femininos, Billie Jean King, que ficou conhecida como a Batalha dos Sexos, devido ao gigantesco teor de debate sobre a igualdade de gêneros, principalmente na década de 70.

Talvez o grande diferencial aqui seja a história e a narrativa, que são muito interessantes de acompanhar. Emma Stone domina a personagem de Billie Jean com perfeição, conseguindo criar características diferenciadas para a personagem e tendo um maior destaque de tela. Sua trama fala sobre vários fatos muitos importantes para a humanidade, desde homossexualidade até igualdade de gênero. Já o personagem feito por Steve Carell, que também está excelentemente bem, mas emulando muito de outros papéis de sua carreira, é o total oposto. Um grande machista, que busca essa imagem como plataforma de divulgação de quem ele é e de marketing para o seu nome. Mesmo assim, possui um lado dramático forte relacionado ao seu vício e também com sua esposa.

A direção do casal Valerie Faris e Jonathan Dayton – que também irão comandar Capitã Marvel – é sólida e foca em muitos closes, principalmente nos momentos mais íntimos dos protagonistas. Além disso, a utilização dos planos longos no terceiro ato é incrível e geram um senso de veracidade absurdo para o grande duelo do longa. Por sinal, é preciso dar destaque para o clímax, no qual confunde o telespectador se aquilo que assistimos é realmente um filme ou a real partida. Nesse mesmo segmento, um pequeno diálogo reforça um pouco o que essa obra quer realmente passar para o público.

Na parte técnica, pode-se destacar a maquiagem fabulosa feita nos dois atores (principalmente com Emma Stone, que está irreconhecível) e um trabalho de refazer a época muito bem executado, com grande diálogo entre a direção de arte, os figurinos e a maquiagem. A fotografia também merece ser comentada, com uma palheta voltada para um misto entre pastel e um grande colorido, que traz novamente a ideia de uma mensagem positiva.

O maior ponto negativo que se pode falar é o roteiro que, mesmo possuindo um belíssimo discurso, acaba sendo apenas razoável nas suas falas. Além disso, faltou uma melhor utilização e melhores atores para os personagens secundários, que acabam por serem apenas pequenas muletas narrativas.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido… e acha que isso está mais próximo do que se espera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *