A volta do pop punk?

Era maio quando a cantora teen Olivia Rodrigo chegou ao primeiro lugar das paradas da Billboard com “Good 4 U”, música que faz parte do seu primeiro disco, Sour. Até aí posso estar falando apenas lugares comuns, mas o sucesso da canção representa uma grande mudança de pensamento dentro do pop contemporâneo. Olivia, representante de uma geração de novos artistas, usa e abusa das guitarras, refrãos melosos e uma maneira de cantar quase brincalhona. Inicialmente, pode não parecer, mas após algumas ouvidas é impossível não relacionar com qualquer outra música do Paramore, por exemplo. Rodrigo representa, assim, o grande ápice da volta do pop punk.

Bom, inicialmente, se você não sabe do que estou falando, vamos aos poucos. O pop punk é uma espécie de subgênero do punk voltado para uma mistura da música pop. Ou seja, guitarras, riffs simples e músicas rápidas, mas com uma levada menos “revolucionária”. Ele começou ainda nos anos 80 e 90 com grupos como Green Day, The Offspring e Blink-182. Já era algo vendável e de muito sucesso popular, porém conquistou ainda mais corações a partir do fim do século XX e início dos anos 2000. Surgem bandas como Simple Plan, Fall Out Boy, Good Charlotte, My Chemical Romance, Panic! at the Disco, além da já citada Paramore. Junto disso, também cantores solos, sendo Avril Lavigne o caso mais famoso. O subgênero passa a ser agora totalmente popularesco, se juntando a toda a cultura emo do período.

Porém, o tempo passa e tudo muda dentro da cultura musical. Desse jeito, apesar de muitas ainda continuarem com todo o seu DNA passado, a maioria dos grupos tentou se diferenciar e se adaptar a novas realidades. Outras, no caso, acabaram, ou até mesmo entraram em hiato. Enfim, toda essa subcultura criada e divagada dentro das rádios e no crescimento da internet acabou sucumbindo o pop punk. Até agora.

Avançamos no tempo e chegamos ao ano de 2019. Em meio às mudanças na cena da primeira arte, que agora abraça com sucesso o rap e o trap, um nome parece entrar de fininho nesse universo: Travis Baker, simplesmente o baterista do Blink-182. Ainda fazendo sucesso com sua banda histórica para o gênero, ele, como produtor, começa a perceber a possibilidade de se transformar em uma influência. Dessa forma, aparece de forma despretensiosa em canções como “One Minute”, de XXXTENTACION, e “I Think I’m OKAY”, de Machine Gun Kelly. Essa segunda, a grande virada de chave para a retomada das guitarras. Uma música que traz todo aquele espírito do período auge do subgênero, falando sobre adolescência e questões de crescimento, junto de toda uma performance que rememora o estilo. Importante destacar que os dois envolvidos na faixa (Gun Kelly e YUNGBLUD) eram rappers.

A partir disso, tudo começou a ser diferente. A começar pela grande estrela ser ainda Machine, que lança, em 2020, Tickets to My Downfall. O disco atinge grande número de ouvintes e vai direto para o topo das paradas. Representava toda a cenografia, performance e estilo musical de lá dos anos 2000 de volta. Baker trabalha como produtor e baterista em todo o CD, trazendo sua vertente clara também. Para os fãs daquele pop punk que se acostumou a ouvir, parecia que o mundo estava girando um tanto quanto estranho.

O baterista ainda marca presença com diversos outros artistas do mundo do rap que resolvem botar o pé nessa novidade. Casos do já citado YUNGBLUD, KennyHoopla, jxdn. Ainda em 2020, acompanhamos o retorno de um certo passo de Avril Lavigne para o estilo, com “Flames”, feita junto de MOD SUN – novamente, outro nome do mundo do rap/trap. Parecia uma demonstração concreta sobre tudo falado anteriormente.

E se os apreciadores de música precisavam de mais alguma prova, 2021 chega também com diversas novidades. Entre elas, aquela citada no começo do texto, Olivia Rodrigo. A cantora teen parece ter levado para um momento realmente claro de sucesso novamente do subgênero, já que se trata de uma cantora pop, diferente dos gêneros falados aqui antes. E o fato de estar no primeiro lugar durante tanto tempo, marcando a canção como verdadeiramente mainstream, ainda gera uma virada de chave. Por fim, se complementa o lançamento de WILLOW “t r a n s p a r e n t s o u l”. Adivinha com quem? Sim, Travis Baker de novo.

Isso tudo mostra como estamos vendo algo novo realmente sendo feito. O mais interessante é que poderíamos estar observando esse movimento por artistas do próprio subgênero, mas não, estamos com artistas mainstream, que já fazem sucesso comercial e nas plataformas de streaming. Verdadeiramente, a segunda era de ouro do pop punk começou.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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