Crítica – Barraca do Beijo 2

O primeiro Barraca do Beijo era exatamente o que se esperava de uma comédia romântica adolescente. Naturalmente, Barraca do Beijo 2 é o que se espera de uma sequência de tal coisa. Nesse sentido, o novo episódio da franquia trilha um caminho bem similar ao seu anterior, mas com um objetivo bem evidente de ser “mais” do que a obra prévia. Isso tudo pelo simples fato de precisar preencher mais de duas horas (!) de duração.

Assim, o longa da Netflix, novamente dirigido por Vince Marcello, acompanha a protagonista Elle (Joey King) alguns meses depois da partida do namorado Noah (Jacob Elordi) para a faculdade. No último ano do ensino médio agora, ela, além de se adaptar ao relacionamento a distância, precisa pensar sobre seu futuro, já que, mesmo prometendo ir a mesma faculdade de seu melhor amigo Lee (Joel Courtney), a perspectiva de ir para Harvard ficar com seu amado soa cada vez mais interessante. Apesar disso, seus sentimentos começar a ser testados por ele com a chegada de Marco (Taylor Zakhar Perez), o novo estudante bonitão que começa a voltar seus olhos para Elle.

Mas calma, ainda tem mais história, já que, além da distância e de Marco, outro problema surge na vida do casal: na forma de Chloe (Maisie Richardson-Sellers) uma amiga de faculdade que é suspeitosamente íntima de Noah. A amizade entre Lee e Elle também passa por percalços, já que a namorada dele, Rachel (Meganne Young), começa a se incomodar com o tanto de tempo que a dupla de amigos passa juntos, prejudicando a relação entre os dois.

Assim, a obra dispersa sua narrativa entre diversos núcleos, alguns requentados do primeiro – como a tensão entre Elle e Marcos -, que traz uma dinâmica bem similar a de Elle e Noah no primeiro filme. Primeiro eles implicam um com o outro, até progressivamente surgir uma atração entre os dois. Não ajuda muito o fato de Marcos ter como característica principal ser um gostosão e nada mais, pouco o diferenciando do seu rival. Um triângulo amoroso pode ser uma ferramenta interessante para explorar as personalidades dos envolvidos, como foi feito na sequência de Para Todos Os Garotos Que Já Amei. O problema é que isso não ocorre aqui, já que como Marcos é Noah, mas latino, há pouco motivo para conhecermos mais de Elle, o que é uma pena, porque King entrega um bom trabalho. Suas reações a quase tudo são levemente exageradas, se encaixando com o ar um tanto mais absurdo que é empregado em certos momentos, como os extremamentes elaborado baile da escola e competição de dança local, que parecem ter vindo de outro universo.

Já outros núcleos conseguem mudar um pouco a dinâmica das coisas, como o conflito entre Lee e sua namorada, pois fogem um pouco da mesmice da trama principal e coloca o personagem de Courtney em um arco intrigante. Há também uma clara tentativa de deixar as coisas menos heteronormativas dessa vez, com uma pequena subtrama gay presente em um total de 4 cenas – acontecendo, diga-se de passagem, praticamente isoladas de todo o resto.

É possível ser cínico com a decisão de colocar o aspecto LGBT do filme de modo que pode ser retirado tão facilmente, se não fosse tão condizente com a condução geral do longa, já que, com raras exceções, as tramas quase não dialogam umas com as outras. Ao invés de um senso de progressão, a produção se contenta em deixar tudo em água morna, até que se concluam sem resolução apropriada. Por exemplo, certo aspecto do conflito entre Chloe, Noah e Elle, é explicado somente para a audiência, e não para a mais interessada no problema, a protagonista, mas que misteriosamente não se preocupa mais com a questão.

Barraca do Beijo 2 é superior ao primeiro? Sim, mas esse não era um desafio muito grande de qualquer modo. Apesar de uma dinâmica muito mais saudável entre os personagens e um visualmente mais interessante – Marcello ainda não sabe expressar nada visualmente e se apoia demais em montagens, mas pelo menos colocou em prática outras coisas além de plano/contraplano. O filme se contenta em se encher de elementos para disfarçar que o foco da trama é bem similar ao primeiro, só que minimamente mais diverso. 

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