Crítica – Little America (Primeira Temporada)

A história da imigração pelo mundo é recheada de medo e dor. Apesar disso, a ideia de estar em um novo lugar, fora da sua terra natal, em busca de oportunidades, é também uma forma de se achar no mundo. E não apenas espacialmente, encontrando um canto para morar, mas também psicologicamente, em entender as transformações pessoais dentro desse novo ambiente. É um pouco disso, sobre essas pequenas narrativas da vida, que Little America retrata sua história. Menos sobre as retratação de sofrimento desses lugares e mais a necessidade e vontade de se adaptar a uma vida e realidade novas.

A primeira temporada da série retrata oito tramas diferentes, todas baseadas em fatos reais – e algumas modificadas em certos sentidos. Todos são personagens imigrantes, que foram para os Estados Unidos em busca de uma melhor condição de existência. Cada um dos personagens busca encontrar seu lugar nesse país gigantesco, ao mesmo tempo que também se entender como família e pessoas únicas.

É bem divertida a forma como Little America retrata os acontecimentos de cada capítulo. Eles são menos trabalhados diretamente em uma ideia de construção dramática e mais em uma comédia de erros. Isso não fica tão claro no episódio inicial que talvez, junto com o último, sejam os que mais estejam interessados nesse lado mais pesado da vida dos protagonistas. No primeiro, o personagem acaba, mesmo pequeno, tendo que cuidar do hotel da família já que seus país. Já no oitavo, um homem luta contra toda a homofobia de seus pais e também do seu país natal, encontrando refúgio aonde quer que esteja.

No resto dos episódios, vemos um desenvolvimento maior de uma quase ironia de tais pessoas viverem nessa reclusão, a qual são julgados a cada instante. Mais curioso de todos nesse sentindo, o terceiro (“The Cowboy”) sabe muito bem trilhar um caminho de colocar um protagonista quase bobo com toda a iconografia clássica dos cowboys americanizados, ao mesmo tempo que ele se utiliza disso indiretamente como uma forma de estar dentro dessa sociedade que o excluí. A sequência de abertura e de finalização dele com o professor, reforçam muito bem esses elementos. Outro que também explora muito bem o lado divertido é o penúltimo, “The Rock”. A narrativa compõe um elemento de quase superação de existir nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que também luta contra si mesmo com a pedra que está de frente a sua casa.

A primeira temporada de Little America está longe de tentar ser a mais complexa do mundo. A ideia é justamente fortalecer seus diversas histórias em busca de explorar a vida de imigrantes em um local totalmente difrente – e, muitas vezes, até inóspito. O seriado parece quase sempre pisar em ovos ao discutir determinados temas, querendo não se aprofundar tanto para não dar espaço a uma possível xenofobia que surja. Contudo, é curioso como existe um poder frontal nessas narrativas, capazes de emocionar o telespectador e perceber que, apesar das nacionalidades, não há nunca diferenças.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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