Crítica – O Predador: A Caçada

Os grandes monstros do passado tiveram alguns problemas em continuarem relevantes em nossos tempos. Se a franquia Alien conseguiu ter uma curta continuidade com Prometheus e Alien: Covenant, seu adversário mais famoso, o Predador, apresentou dois falsos recomeços, com o bom Predadores, em 2010, e em 2018 com O Predador, de Shane Black. E se quanto menos falarmos desse melhor, o mesmo vale para os crossovers realizados nos anos 2000, um pior que o outro.

Assim, a ideia de um novo Predador gera mais dúvidas do que empolgação, especialmente após a produção de Black ter sido tão desastrosa. Não seria hora do alienígena caçador ter um período de descanso maior?

Felizmente Predador: A Caçada aposta na fórmula simples que consagrou a franquia, a do conflito “mano a mano” entre um reles humano contra o monstro titular. A porção humana aqui está na figura de Naru (Amber Midthunder), uma jovem comanche que deseja, acima de tudo, provar seu valor como guerreira e caçadora, fugindo dos papéis de gênero estabelecidos por sua tribo. Durante a caçada solitária por um urso, onde ela leva a pior, a nativa se depara com o ser alienígena. Reconhecendo a ameaça e também uma chance de se provar diante do seu povo.

Essa simplicidade é um dos grandes trunfos do longa dirigido por Dan Trachtenberg. Sem grandes explorações da “mitologia” do Predador, ou guerra de facções e tramas de invasão ao planeta Terra. Não há muito mistério sobre a presença do caçador, estabelecida logo nos primeiros minutos. Mas há uma cuidadosa construção nas duas figuras centrais até elas se colidirem. 

Se o roteiro pesa um pouco a mão ao reforçar a importância que a caça tem na vida de Naru por meio dos diálogos, ao menos há uma boa exploração de quem ela é enquanto personagem: observadora e inteligente, mas um pouco cabeça quente demais, agindo intempestivamente se acreditar que está fazendo o certo. Enquanto a protagonista e seus dilemas são apresentados, o Predador observa os dinâmicas da natureza, se estabelecendo no topo da cadeia alimentar.

Nesses primeiros momentos, Trachtenberg explora bem o ambiente que será cenário da briga. Um sem fim de críticas destacaram ser uma pena que A Caçada esteja somente nos streamings, visto que o longa possui paisagens magnificas, dignas de uma tela grande, e faço coro a essa perspectiva. Talvez num cenário onde um filme lançado no cinema não tem a necessidade de atingir um bilhão de dólares de bilheteria, a produção teria um espaço melhor para gerar impacto.

Quando Naru e o Predador se encontram, a trama ganha velocidade e só vai parar mesmo com um dos dois morto no chão. Novamente: a palavra de ordem aqui é simplicidade. A ação é bem acompanhada por uma coreografia clara – talvez inspirada até demais em John Wick – e de mortes particularmente inventivas. O destaque vai para o confronto entre o alien e um grupo de caçadores franceses, cuja presença cria um paralelo interessante ao do monstro. Os caçadores são muito mais destrutivos que o Predador, deixando um rastro de cinzas e morte por onde passa, enquanto o monstro título só está interessado em caçar e se mostrar o melhor nisso, como tantas outras criaturas da Terra, como a própria Naru.

Assim, O Predador: A Caçada é um bem-vindo reset (não reboot) para a franquia, mostrando que, talvez, a fórmula que deu origem a tudo isso, lá nos 80, funciona perfeitamente bem. Pode não ser tão icônico quanto o original, mas é, certamente, uma das melhores sequências da empreitada. 

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