Crítica – Para Todos Os Garotos: Ps. Eu Ainda Te Amo

A grande vantagem da maioria dos relacionamentos no cinema é que, umas vez que os créditos sobem, a felicidade já está garantida, “felizes para sempre” é como acaba a maioria das histórias de amor. Mas, claro, para sempre é muito tempo, e sempre há obstáculos na vida a dois, raramente explorados nas comédias românticas teens. Lara Jean (Lana Condor) e Peter Kavinsky (Noah Centineo) não tem essa vantagem, já que a história deles continua em Para Todos Os Garotos: PS. Eu Ainda Te amo.

A sequência do longa de 2018 acompanha o casal logo após os eventos do primeiro filme, e explora o que acontece depois dos “felizes para sempre”. É o primeiro namoro de Lara, que está naturalmente insegura, não conseguindo esquecer que, se para ela é tudo novidade, Peter já passou as mesmas coisas com a ex-namorada. Para complicar a situação, um dos destinatários das cartas do primeiro filme dá as caras. John Ambrose (Jordan Fisher), aparentando ser um tanto mais compatível com a protagonista do que o atleta Peter.

Um triângulo amoroso é o modo mais fácil de se chacoalhar uma história de amor, e dos personagens a colocar um entrave em um casal estabelecido, Ambrose está mais do que a altura: efetivamente o oposto do personagem de Centineo, ele é assumidamente mais sensível e intelectual que seu “adversário”, sendo um contraponto interessante para o relacionamento, colocando à prova a ideia tão vigente nesses tipos de filme que “os opostos se atraem”.

Por isso que é uma pena que este seja o aspecto mais fraco da produção, já que se constrói pouca tensão entre os participantes – Ambrose e Peter mal dividem cena juntos – e a presença do antigo crush pouco afeta o relacionamento. A grande perturbação vem de questões muito mais pessoais de Lara, que sempre idealizou relacionamentos – vale lembrar que o primeiro filme se inicia com ela se vendo numa história romântica de um livro -, tendo que lidar com a realidade de se ter um. Apesar da fotografia ainda procurar um ar de romance açucarado, com suas cores fortes e solares, as questões enfrentadas pelos personagens indicam um amadurecimento da narrativa que é muito bem vindo.

Em contrapartida, PS. Eu Ainda Te Amo acaba sendo um pouco mais sério do que o filme prévio, e o humor faz um pouco de falta aqui, pois em alguns momentos a trama se torna um tanto morosa. Boa parte da diversão da obra vem de sub tramas e personagens novos, como Stormy (Holland Taylor), uma das habitantes do asilo que Lara Jean é voluntária, que oferece piadas e sabedoria na mesma medida. 

Para Todos Os Garotos: PS. Eu Ainda Te Amo pode parecer, a um nível estético, a mesma coisa que o primeiro filme, mas a história busca evoluir de modo muito interessante, mesmo que ainda um tanto raso e se apoiando em alguns clichês do gênero, como uma briga que abala o casal próximo ao fim, somente para que eles reatem apaixonadamente. Mesmo com esses tropeços, a sequência injeta ares novos na fórmula da comédia romântica, mesmo que a parte de “comédia” seja deixada um pouco de lado.

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