Crítica – The Politician (1ª temporada)

Ryan Murphy virou um dos maiores nomes de produção no audiovisual recentemente. Seus trabalhos em American Crime Story, American Horror Story, Pose e mais, o fizeram catapultar em uma carreira na qual parecia seguir na tendência. Ele, então, assinou uma parceria com a Netflix para a produção de séries totalmente originais ao canal de streaming. Muito se esperou e causou confusão sobre qual viria pela frente. Bom, nasceu, assim, The Politician, a grande inauguradora dessa parceria, que deverá ainda render muito sucesso e dinheiro para ambas as partes.

Assim como em Pose, Muurphy é criador e produtor, contudo dá mais destaque para outras partes/outras pessoas. No caso daqui, Ian Brennan e Brad Falchuk são esses nomes, que buscam contar a história de ascensão na política de um jovem e rico garoto. Esse é Payton Hobart (Ben Platt), na qual possui o objetivo em sua vida de virar o presidente dos Estados Unidos. Para isso chegar, ele sabe a necessidade de passar pelas mais diversas coisas, inclusive pelo ponto de partida. Esse seria o ganho como presidente do grêmio estudantil na Saint Sebastian High School.

É interessante como o seriado busca uma abordagem bem próxima de um filme do diretor Wes Anderson. Pode soar como uma fala esquisita, porém faz muito sentido em um contexto de uma produção buscando uma ironia constante nas cenas. Ao fundo, é possível dizer que a obra aqui presente se trata mesmo de uma comédia dramática e não de um drama de comédia. O ponto de vista da risada é o grande diferencial a cada nova sequência, na qual busca um ponto de muita maturidade ao personagem principal e na sua disputa dentro do colégio. É como se realmente estivéssemos vendo uma decisão entre dois grandes nomes da política (sua adversária é Astrid, feita por Lucy Boynton).

Essa questão da encenação temática próxima de Anderson também está presente na construção cenográfica. Apesar de possuírem 7 diretores presentes, todos eles tem uma consolidação sempre em busca de planos mais longos e o foco nos diálogos, além das câmeras em carrinho, andado de um set para outro. É realmente interessante como isso deixa clara toda a intenção em perceber personagens sempre estranhos, mas também cativantes. Todos estão ali envoltos em uma camada de bizarrice interna – muito justificada na narrativa -, porém totalmente intensos de serem acompanhados. É difícil torcer para alguém, todavia é dificil não ter preferências.

Mesmo assim, falta uma maior coesão no grande clímax da produção. Se a edificação interna funciona bem para entender as pequenas engrenagens desse universo, ao mesmo tempo fica esquisito conforme chegamos ao grande final. Isso fica mais claro ainda no último episódio, bastante perdido e apenas com uma chamativa maior na última cena para a próxima temporada. Ao longo dos oito episódios, é possível perceber certos problemas nas transições das discussões, passando desde busca por votos (muito bem expressas no capítulo sobre o eleitor) até toda a questão do relacionamento entre Infinity (Zoey Deutch) e Ricardo (Benjamin Barrett). Esse último fato, inclusive, totalmente jogado.

A primeira temporada de The Politician é sustentada bem mais por toda sua ironia narrativa. A construção de cada cena parece refletir bem uma realidade de mundo tão ridícula que chega até a ser irônico ver tudo trabalhado. Falta um maior desenvolvimento de personagem também aos secundários, totalmente necessários para a continuidade da série. Payton é quem domina toda a história, sempre levando cada ponto para frente ou para trás. Afinal, ele é o político, ele busca ter seu futuro como o presidente. E a política não é apenas discussões em congressos, mas a própria ideia de se relacionar socialmente. Seu arco de aprendizado sobre isso é fundamental para vermos tudo aqui.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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