Era Uma Vez Em… Hollywood é mais uma homenagem de Tarantino ao cinema

Quentin Tarantino talvez seja um dos poucos diretores do cinema independente americano na qual já atingiu patamares bem grandes. Isso, se realmente podemos chamar seu cinema de independente, visto que já possui um orçamento considerável e bem mais relacionado a filmes blockbusters. Dentro de toda sua carreira, muito consolidada, o diretor transformou-se pelo fato de sempre possuir diversas referências a sétima arte. Essas referências para alguns chega até ser um plágio, mas para ele é uma gigantesca homenagem.

Era Uma Vez Em… Hollywood segue isso ainda mais claramente. Se em algumas de suas produções essas referências menos diretamente (como no caso de Kill Bill com A Noiva Estava de Preto e Lady Snowblood, e Pulp Fiction as HQ’s pulp e histórias de máfia), essa está mais próxima de Django Livre ao lembrar diretamente o que está falando. No caso aqui, Tarantino não faz uma homenagem especificamente a algo, mas sim a produção cinematográfica americana dos anos 60/70, especialmente os longas de faroeste e lutas.

Um desses casos é a aparição de Bruce Lee no filme. Não especificamente o Bruce, obviamente, visto que já faleceu a bastante tempo, porém sim um ator o interpretando. Coube a Mike Moh realizar esse papel. O que era de se esperar uma certa positividade pelo lado fanático na qual o cineasta tem de Lee, acabou sendo transformado em uma polêmica. Isso porque a filha do falecido ator, Shannon Lee, contou ao The Wrap que sentiu um insulto por parte de Quentin ao representar o lutador como esteriotipado.

“Ele aparece como um cuzão arrogante que fala sobre coisas que não sabe. E não alguém que teve de lutar três vezes mais duro que todos os outros para conquistar o que outros tiveram com naturalidade”, disse ela. “Foi muito desconfortável sentar no cinema e ver as pessoas rindo do meu pai”.

Matthew Polly, autor de uma biografia sobre Bruce Lee, corroborou as críticas, acentuando ainda mais a discussão ao falar do tratamento quase venerador dado pelo americano a figuras de atores brancos da época, como no caso de Steve McQueen e Jay Sebring. Como o mesmo falou “ele poderia ter causado o mesmo efeito, sem a zombaria”.

Outra questões na qual ficou em voga também foi o caso da representação de Sharon Tate, feita por Margot Robbie. Para quem não sabe, a obra busca representar uma trama durante o ano de 1969, tratando de diversas polêmicas e questões do período, marcado por uma grande enfervescência cultural nos Estados Unidos. Com isso, a história de Tate entrou em voga. Ela foi esposa de Roman Polanski na época e acabou sendo assassinada pela seita de Charles Manson. Ambos estão na trama, o primeiro interpretado por Rafal Zawierucha e o segundo por Damon Herriman – na qual fará a mesma personagem em Mindhunter.

Discussões a parte, é fato que a chegada de um novo trabalho de Tarantino chama atenção de todos os fãs de cinema. Não a toa, a produção já se transformou no filme de maior bilheteria na estreia da filmografia do cineasta, nos Estados Unidos. Ainda mais com a história aqui em questão, demonstrando uma investigação de suspense misturada com um drama sobre a indústria de cinema da época. Nisso, estão presentes Brad Pitt e Leonardo DiCaprio, realizando os personagem Cliff e Rick, respectivamente. Eles irão trabalhar juntos para desvendar um caso.

Era Uma Vez Em… Hollywood estreia dia 15 de agosto nos cinemas nacionais, contando ainda no elenco com nomes como Emile Hirsch, Dakota Fanning, Bruce Dern, Al Pacino, entre outros. O lançamento mundial do filme aconteceu durante o Festival de Cannes nesse ano, durante os dias 14 e 25 de maio de 2019.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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