O K-pop vai dominar o Brasil?

Não é de hoje que venho me perguntando se o gênero pop coreano pode dominar o brasil. Não me refiro apenas a dar lugar a shows como tem feito mesmo com algumas vindas expressivas como: BTS, Super Junior e Ailee até o momento. Me refiro a permitir que os maiores sucessos da Coréia do Sul comecem a serem tocadas nas rádios daqui. Esses são apenas alguns pontos que trataremos.

Vamos começar pelo básico: O brasileiro sabe o que é K-pop? As respostas que mais ouço são: “Eu conheço um amigo de uma amiga que ouve isso”, “Já ouvir falar, mas não sei o que é”, “Ah, já ouvi alguma coisa de K-pop sim, mas não me chamou muita atenção”. A partir dessas respostas, me veio a necessidade de escrever essa matéria e indagar a capacidade real desse estilo ter seu espaço no Brasil.

Nos últimos 5 anos, a indústria do pop coreano cresceu absurdamente ao redor de todo globo, e um dos grandes motivos foi via fenômeno PSY. O cantor, hoje mundialmente conhecido graças a sua canção “Gangnam Style”, foi a alavanca que o K-pop precisava para dar seus passos largos e se espalhar de vez pelo mundo. Com isso, os já fãs do gênero ao redor do mundo começaram a se mobilizar, promover eventos, e conseguir que seus governos vissem no gênero uma atração de entretenimento válido para o país.

Os Estados Unidos, por exemplo, que abraçou a febre de PSY com todo fulgor, hoje é um dos países que mais consome os coreanos, apenas atrás do próprio país de origem. Outro fato importante foi que nesse ano de 2017 aconteceu algo extraordinário e inédito: o grupo BTS ganhou o prêmio de Top Social Artist na Billboard Music Awards, algo impensável e nunca antes visto. O grupo entrou para história como o primeiro grupo K-pop a ganhar um prêmio da Billboard concorrendo com nomes de peso como Ariana Grande e Justin Bieber.

Um podcast americano chamado Popcast fez um programa sobre o ocorrido e perguntou a mesma coisa na qual essa matéria se refere. Nesse cast, regido por alguns críticos do New York Times, eles conversam sobre a influência do gênero no país desde os seus primórdios, quando grupos que começaram a levar aos poucos o nome para fora do país como: Girls Generation, Wonder Girls, Big Bang, Super Junior, 2NE1, etc. No início dos anos 2000, já começava a se falar sobre esses grupos que aos poucos começaram a chamar atenção fora do seu país, ainda em sua maioria no mundo asiático. Isso numa época que a era da internet começou de fato a caminhar com suas próprias pernas, o que pode se dizer que foi um fator importante para o crescimento e conhecimento desses grupos por bilhões de pessoas ao redor do mundo.

A plataforma do Youtube acabou se tornando cada vez mais um instrumento de acesso para conhecer novos artistas, além de prestigiar os já muito conhecidos. Sendo assim, a TV foi perdendo seu espaço de programas que antes eram essenciais aos fãs saberem mais sobre seus ídolos. Hoje em dia, o Youtube não fornece somente essa informação como as próprias empresas e estúdios se renderam, nos últimos anos, para o futuro da divulgação de seus artistas. Com essa gigantesca revolução global, o que ocorreu? O K-pop começou a dar seus primeiros passos mais largos fora da Ásia, e assim, grupos de renome dentro do gênero começaram a ser vistos por novos admiradores de música, aumentando drasticamente sua base de fãs.  Com isso, muitos brasileiros estão nessa lista de apaixonados que cresce substancialmente ao longo dos últimos anos. Muito do público nacional conhece K-pop através de uma amiga ou amigo, outros acabaram achando sem querer no Youtube. Dessa forma, a base de fãs brasileiros desse estilo musical obteve um salto enorme, o que proporcionou a vinda de diversos grupos.

B2ST, G.NA & 4MINUTE

Em 2012, a mídia nacional se voltou para as músicas coreanas, já que o nosso país recebeu em um único show o grupo masculino B2ST, a cantora solo G.NA e as meninas do 4MINUTE, dentro de um evento chamado de UNITED CLUB CONCERT. No ano seguinte, a solista Ailee, o cantor HyunJoong (Do SS501) e a dupla BaeChiGi, vieram na comemoração dos 50 anos da imigração coreana no Brasil, realizado em São Paulo, com organização da KOFICE. Nesse mesmo ano, o clássico e conhecido Super Junior veio levando a legião de fãs a loucura, com todos os 7 mil ingressos esgotados em menos de 3 dias. Em 2014, houve uma edição brasileiro do Music Bank no Rio de janeiro (é um dos programas musicais mais famosos da Coréia). Nesse evento vieram SHINee, Infinite, B.A.P, MBLAQ, CNBLUE, M.I.B e, novamente, Ailee. Teve até tempo de Jonghyun, o Taemim e o Sunggyu cantarem “Garota de Ipanema” em português. Em uma finalização perfeita para os fãs de K-pop, o grupo BTS veio três vezes no país tupiniquim (2014, 2015 e 2017), esgotando em minutos mais de 30 mil ingressos.

Music Bankai (SHINee, Infinite, B.A.P, MBLAQ, CNBLUE, M.I.B e Ailee – 07/06/2014)

Outro fator que faz com que o gênero pop coreano cresça ainda mais são os aplicativos musicais, mais especificamente o AMINO, que implica em armazenar uma série de comunidades dos mais diversos assuntos, sendo as mais movimentas de K-pop. Essas comunidades permitem a interação dos membros, criação de notícias, compartilhamento de momentos, avaliar novos álbuns, além de se atualizar nos lançamentos. É o meio mais acessado pelos fãs, juntamente com o Youtube.

E não termina por aí, outro aplicativo que se rendeu foi o Spotify, possuindo desde de 2016 uma área somente para o gênero, já que agora as empresas se preocupam em colocar seus artistas nesse programa, um dos mais utilizados no mundo. Pois bem, o que pode-se dizer após recentemente o BTS ter ganhado um prêmio pela Billboard, é que as rádios não devem demorar muito a serem as próximas a se renderem.

Então respondendo a pergunta se K-pop vai dominar o Brasil? A resposta seria certamente, mas talvez bem mais daqui a alguns anos. Atualmente num ranking de Top 5 de gêneros que o brasileiro mais ouve são:

1 – Eletrônico

2 – Sertanejo

3 – Hip-Hop

4 – R&B

5 – Dance

Com isso mente, esse estilo tem grandes chances de inaugurar sua categoria no país, pois, por enquanto, ele apenas está no meio dos já citados. Portanto, se antes o K-pop dava passos largos, hoje em dia o gênero nada de braçada no meio musical e do entretenimento mundial.

Além disso, resolvemos mostrar algumas músicas de sucesso na atualidade dentro do gênero, para quem não está tão acostumado:

 

 

 

 

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Raphael De Souza

Graduado em Jornalismo pela FACHA. Lançou durante seu período de faculdade o livro “Costuras Poéticas de uma Vida Reaproveitada”. Chegou palestrar sobre a cultura asiática e seus desdobramentos, na área de Mídia da UFF – Faculdade Federal Fluminense e eventos do cunho oriental. Hoje trabalha como empresário, jornalista e nas horas vagas piloto de automobilismo. E ainda consegue arranjar espaço na sua agenda para séries, animes e tokusatsu e filmes. Defende o crescimento do gênero Tokusatsu no Brasil como forma de cultura.

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