O que achamos da Apple TV+?

Tendo estreado mundialmente (inclusive em terras nacionais) no último dia 1º de novembro, a Apple TV+ veio para ser mais um concorrente no mercado de streaming. A sua disputa, no entanto, parece ser bem mais com a Amazon Prime por um mercado secundário, visto que a Netflix domina boa parte das casas pelo mundo afora, especialmente pelo seu tempo de estrada passado. Entretanto, a Apple surge com uma proposta bastante tentadora e empolgante para os consumidores de conteúdo: um episódio de série por semana. É algo que pode acabar trazendo uma audiência nostálgica com o modelo dominante no mercado ainda hoje. Mas, todo esse embate será verdadeiramente realizado pelos trabalhos originais.

E, nisso, a empresa acertou bastante ao iniciar seu streaming com um conteúdo apenas original. Mesmo sendo pouca coisa – até agora – a ser consumida, é intrigante perceber como existe uma certa cautela para a maçã. Foram 9 no dia mesmo da estreia, na qual, a suma maioria, disponibiliza apenas 3 episódios para serem assistidos. A cada nova semana, será possível ver um capítulo novo dessas produções. Talvez o maior destaque nesse sentido, por estar completa, seja Dickinson, em que busca fazer uma comédia teen rememorando a história da poeta Emily Dickinson. Como forma de chamar atenção ainda mais, a escolhida para interpretar a artista foi a estrela em ascensão Hailee Steinfeld.

Existem algumas produções menores, contudo o enfoque será dado aqui a apenas o que deverá ter grande impacto. Nesse sentido, começamos com The Morning Show, série na qual comentamos aqui. Quem foi chamado para fazê-la foi o roteirista de estreia, Jay Carson, reconhecido por ter produzido House of Cards. Ele traz uma trama deveras política, mesmo que o enfoque seja a política relacionada ao movimento #MeToo. Esse que buscava uma defesa das mulheres pelas mulheres, falando sobre diversos casos de aséedio e violência sexual de grandes estrelas de Hollywood. O caso acabou ganhando maior repercussão especialmente pela acusação em torno de Harvey Weinstein.

A segunda é See, seriado pós-apocalíptico protagonizado por Jason Momoa. Aqui, observamos a história da humanidade 600 anos para frente. Nesse tempo, todos não possuem mais a visão por causa de um vírus que cegou os seres humanos. A partir disso, eles precisam encontrar novas maneiras para se manterem vivos dentro desse universo selvagem e de disputas. E, com isso, a trama caminha bastante por uma ideia tribal – bem relacionada com Momoa -, enquanto busca um olhar meio Ensaio Sobre a Cegueira, de José Samarago, para trazer críticas sobre a formas como vemos a sociedade. Parece ser aquele tipo de obra que poderá ficar mais impactante com o passar do tempo.

Mesmo com o catálogo ainda enxuto, o futuro parece promissor a empresa. Já foi anunciado para o final desse mês, mais especificamente dia 28 de novembro, Servant, série produzida por M. Night Shyamalan. A história trará seus tradicionais contos de horror. Ainda há programação, essa para dezembro, do seriado Truth Be Told, em que contará com a vencedora do Oscar, Octavia Spencer, e o astro de El Camino, Aaron Paul. Por fim, impossível não destacar a tentativa da Apple de já trilhar o caminho do Oscar com The Banker, que conta a história real de dois empresários negros nos Estados Unidos pelos anos 60. A estreia será apenas em janeiro de 2020 no streaming, mas haverão exibições no cinema já no próximo mês.

Olhando de uma maneira geral, é até interessante essa primeira tentativa da Apple TV+. Deverá demorar a conseguir um público mais engajado pela questão de buscar uma diferenciação dentro do mercado. Além disso, a acessibilidade através de uma conta da Apple poderá também ser uma certa desistência a alguns. Entretanto, como todo serviço de streaming surgindo na atualidade, deverá começar de algum lugar. E o ponto de partida programado aqui é intrigante para vir ao futuro. Porém, acima de qualquer coisa, a empresa da maçã desponta a um mercado específico, buscando a segmentação que quer. E isso, numa enxurrada de conteúdos produzidos, é uma qualidade e tanto.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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