Os 205 anos de Orgulho & Preconceito e suas diversas versões

No dia 28 de janeiro de 1813, foi publicada a primeira edição oficial de Orgulho e Preconceito.

Ainda que não se esteja familiarizado com a obra, é um dos títulos mais conhecidos da ficção. O livro mais famoso da célebre escritora inglesa Jane Austen foi um sucesso desde sua primeira impressão, tendo suas tiragens logo esgotadas, aparentemente graças ao boca a boca positivo que o romance estava recebendo. Ao longo dos anos, a história de amor entre Elizabeth Bennett e Sr. Darcy encanta até hoje leitores ao redor do globo, tornando-se um pilar não só da literatura britânica, mas também da literatura (e outros campos culturais, como cinema, televisão e quadrinhos) mundial moderna.

Mas qual é o elemento dessa obra que a torna tão marcante?

O legado

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Desde a primeira publicação, o trabalho de Austen – que no início se chamava Primeiras Impressões -, recebia adaptações para outras plataformas. Desde os três meses posteriores à publicação, Orgulho e Preconceito já garantia boas críticas. Ainda que, entre a sociedade literária britânica isso não fosse unanimidade, já que há uma infame carta de Charlotte Brontë onde ela expõe seu pouco caso sobre a história de Lizzie Bennet.

Ainda assim, diversos notáveis trabalhos foram feitos para adaptar o livro. Uma das primeiras e mais famosas versões é a de 1940, com Laurence Olivier e Greer Garson, por sua vez baseada em uma adaptação teatral de 1936 comandada pela dramaturga britânica Helen Jerome.

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Anos depois, a BBC foi responsável por aquela que é considerada a adaptação definitiva de Orgulho e Preconceito. Lançada em 1995, a minissérie de seis episódios contava com Jennifer Ehle e Colin Firth nos papéis principais. Aclamada não só por crítica e público, mas também por fãs puristas de Jane Austen, a produção foi indicada a prêmios como Emmy e o BAFTA, sendo reconhecida por sua fidelidade ao material de origem e a qualidade do roteiro e das atuações.

A cena em que o Sr. Darcy emerge do lago é considerada hoje uma das cenas mais inesquecíveis da TV britânica.

É impossível não mencionar outra adorada versão, talvez a mais popular: o filme de 2005, dirigido por Joe Wright. Uma produção hollywoodiana com belíssimas paisagens e cenários, o longa contava com Keira Knightley interpretando Lizzie Bennet e Matthew Macfadyen como Sr. Darcy. Além deles, um estelar elenco de apoio que contava com nomes como David Sutherland, Jena Malone, Rosamund Pike, Simon Woods, Carey Mulligan e Judi Dench. Embora ainda tenha recebido ótimas críticas e seja um filme bastante querido, essa versão ainda perde o cargo de favorita dos fãs para a minissérie de 1995.

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Produção essa, aliás, que inspirou a inglesa Helen Fielding a escrever seu notório romance O Diário de Bridget Jones. Uma comédia sobre a vida de uma solteirona na casa dos trinta anos, o livro de Fielding foi um estrondoso sucesso e não tardou a receber sua própria versão cinematográfica, contando (pasmem!) com Colin Firth no papel de… Mark Darcy.

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O sucesso não se manteve somente na Inglaterra. Diversos países deram seu próprio toque especial à história. Noiva e Preconceito, um musical meio bollywoodiano (digo meio pois o filme é falado em inglês apesar de a história se passar na Índia e ainda contar com boa parte de personagens brancos) que traz a história para os dias atuais. É uma produção que surpreende pela diversão e carisma do elenco, e tudo fica melhor quando os costumes sociais indianos casam tão perfeitamente com as críticas sobre casamento e ascensão social que Austen deixava tão claras em suas palavras.

Nem mesmo o Brasil escapou. Orgulho & Paixão, novela das 18h da Rede Globo, trazia todo o “universo compartilhado” da autora para o Brasil colonial. Dirigida por Fred Mayrink e escrita por Marcos Bernstein, a novela trazia não só as irmãs Bennet a este novo e improvável cenário, mas demais heroínas como Emma, do livro homônimo, Catherine, de Abadia de Northanger, e até mesmo Lady Susan, de uma história curta que foi publicada postumamente.

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No fim das contas, é de se admirar e de se perguntar: o que tem de tão extraordinário nessa simples e encantadora história de romance? Afinal, Orgulho e Preconceito é um clássico, considerado por muitos como o “romance definitivo”. Ao mesmo tempo em que define padrões para a ficção e a mídia em geral, é uma história que também os quebra, ao trazer para seus protagonistas a quebra do cansativo “amor à primeira vista”, apostando no desenvolvimento pessoal de cada um como indivíduo e de seu relacionamento em decorrer disso.

Viva Jane Austen!

 

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