Resenha – Porém Bruxa

Ísis Rossetti é uma bruxa. Seu trabalho é monitorar crimes envolvendo forças sobrenaturais na cidade de São Paulo. Apenas esses. As regras são claras: se não houver magia envolvida, ela não pode intervir. Mas em meio ao caos sufocante da cidade, a vida dos comuns está constantemente em perigo. Não há como não ajudar.

Ísis vive recorrendo a sua intuição para encontrar casos e resolvê-los, ao mesmo tempo que uma menina desaparece misteriosamente sem deixar rastros. Sua amiga e delegada, Helena, pede ajuda no desaparecimento de uma mulher que ela suspeita ser um caso de feminicídio. Além disso, sua amiga, Fernanda, uma comum, entra em contato para pedir ajuda em uma situação de intolerância religiosa, pelo fato de destruírem o terreno dela e da avó. Em meio a confusão, uma entidade de outro plano entra em contato e revela uma misteriosa imagem na qual a Rossetti terá que descobrir seu significado. O que a bruxa não imaginava é que os três acontecimentos teriam ligação.

É bastante claro o trabalho de pesquisa da autora sobre a imagem da bruxa. Carol Chiovatto constrói uma mitologia fascinante sobre o universo da magia e bruxaria em Porém Bruxa. A sua escrita é bastante cativante, pois, além de criar toda uma ficção palpável e nada estereotipada, ela teve um grande capricho com a investigação que conduz a história, sem furos, é uma narrativa que se desenrola aos poucos e no tempo certo. Isso tudo consegue prender o leitor em um ritmo que não se perde em nenhum momento, o famoso enredo fechadinho e redondinho.

Ísis se vê em uma posição que precisará de toda ajuda possível para desvendar o mistério, Porém Bruxa é um livro multigêneros. Temos a protagonista sendo uma quase detetive atrás de respostas, mas com uma ajudinha extra, ou seja, magia e claro, uma pitadinha de romance, já que é quase impossível não torcer por mais momentos entre Ísis e Vitor, seu Corregedor.

Carol Chiovatto, autora de ‘Porém Bruxa’

Os personagens secundários são essenciais para a história, são as cerejas do bolo, fora a enorme ajuda que dão a busca de Ísis, eles são sua rede de apoio e suporte. Helena, Dulce Vitória, Murilo, Fernanda e Vitor são personalidades incríveis, é até difícil escolher um favorito, é o típico grupo de amigos que todo mundo deseja ter. Eles também compõem a representatividade LGBTQ+ e racial da história, o livro também discorre sobre assuntos da nossa realidade, além de abordar preconceito religioso, de classe e  transfobia, nos deparamos com a questão de abuso de poder e assédio. A protagonista também é uma peça fundamental nessa trama tão valiosa. Ela é e muito poderosa, não apenas pela magia, mas também por ser inteligente, corajosa, altruísta e acima de tudo, humana, é impossível não sentir uma empatia por ela, ou até mesmo, se enxergar nela.

Se você gosta de bruxas e fantasias no geral, então precisa dar uma chance a essa leitura, principalmente porque devemos nos engajar cada vez mais com a literatura nacional. Porém Bruxa está ai para provar que temos autores e histórias muito boas que merecem sua atenção.

Comentários

Ana Barbosa

Estudante de Jornalismo, feminista e enaltecedora de mulheres na arte. Viciada em séries, principalmente em Doctor Who, compra mais livros do que consegue ler e não recusa um café. A típica canceriana que chora em todos os filmes que assiste, ou pelo menos quase todos.

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