Resenha – POWER UP (AC/DC)

Se tem algo que se espera ao ouvir uma música do AC/DC é que ela soe, literalmente, como AC/DC. Os riffs característicos, a voz aguda, a bateria dançante e uma faixa que parece ter vindo diretamente dos anos 70/80. Talvez os fãs já nem busquem algo diferente, porque sabem que não irão encontrar dentro do grupo. Apesar disso, a banda veio quase em uma espécie de fim anunciado. Após o lançamento, em 2000, de Stiff Upper Lip, houve uma espécie de queda de produção frequente que existia anteriormente. Oito anos se passaram para a chegada de Black Ice que, devo dizer, figura entre os grandes CDs deles. Mais seis anos, Rock or Bust, um trabalho morno, que dava tons de fim, a qual se concretizaram com os diversos problemas, como a prisão de Phil Rudd e a morte de Malcolm Young.

No entanto, outros seis anos depois, os componentes perceberam uma certa necessidade e vigor em homenagem a Malcolm, irmão do icônico Angus. Ao se encontrarem no funeral dele, reavivaram um sentimento antigo, do rock que sempre fizeram. Assim, nasceu POWER UP, um claro olhar do AC/DC para suas raízes. Essa demonstração fica estampada logo de cara, quando ouvímos “Shot in The Dark”, o single divulgado poucos dias antes do lançamento oficial do álbum. Com uma musicalidade envolvente e uma letra chiclete, parecemos estar vendo eles de volta.

No entanto, isso não é um grande padrão em POWER UP. Definitivamente, não estamos em contato com algo perfeito, diretamente vindo da fase áurea, de 1976, com High Voltage, até 1990, com The Razor’s Edge. Contudo, existem ecos ali presentes de algo maior, que pode até surgir nos próximos anos – caso o grupo realmente continue. Um desses exemplos é “Realize”, logo a faixa de abertura. Novamente, o riff marcante e a batida dançante rememoram algo de um passado distante.

Nesse sentido, até é possível fazer um comparativo quase contraditório com Rock or Bust, que é uma produção muito mais soturna e quase depressiva. Como disse anteriormente, parecia indicar uma espécie de fim anunciado. Aqui, vemos ao contrário, algo trazido já pelo próprio nome, como se tivesse demonstrando um retorno, um poder crescente, que estivesse despertando. Isso faz até o AC/DC soar quase, em alguns momentos, como um Kiss, de tão brincalhonas e gostosas de ouvir que são grande parte das canções desse CD. Um outro exemplo extremamente interessante é “Kick When You’re Down”, com um refrão já bem claro para ser cantado em shows. “Money Shot” também tem bastante isso, especialmente esse lado de diversão com a música – muito presente em Black Ice.

Apesar disso, existe um claro olhar também comum que a banda acaba sempre apresentando. Há algumas tentativas de se mudar, de buscar novidades, ou até revigorando dentro do próprio estilo já clássico. Porém, isso não funciona todas as vezes. Em “Through The Mists Of Time” vemos algo parecido com o que já foi feito um bilhão de vezes por outros grupos de hard rock em toda a história do gênero. “Rejection” também, soa como qualquer coisa, um tratamento bastante comum.

De toda forma, é impossível não se empolgar com um AC/DC de volta com tudo. Para os fãs de rock, soa quase como algo a ser ouvido religiosamente. Realmente, é sabido que será até, em muitos momentos, mais do mesmo. Porém, a diversão deles se resume em, realmente, buscar esse lado comum para criar coisas interessantes. É uma grande música pop e eletrônica do rock, talvez essa seja a melhor definicação para a banda. Pode ficar comum, mas é impossível não gostar de ouvir. Depois de passarem por uma fase negra e períodos complicados, POWER UP representa quase uma nova era. Tomara que seja cheio de riffs, batidas e muitas músicas chiclentes.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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