‘Sweetbitter’ e ‘Vida’: Dramas do cotidiano são a nova aposta da Starz

Como todos nós, a ‘Starz’ adora um dramalhão.

Sem comédias há um bom tempo em sua grade, ela prioriza as fatalidades. Elas podem ser históricas, de época ou até mesmo ficção científica. Ou seja, ela prefere fazer poucas séries e de alto custo. O mais perto que ela chegou de abordar temas corriqueiros foi em ‘Flesh and Bone’ e ‘The Girlfriend Experience’, porém o primeiro trata-se da vida de uma dançarina glamourosa e o segundo de uma ‘namorada de aluguel’, ou seja, nada muito verossímil. Isso até agora, pois esse m}es o canal lançou duas tragédias cotidianas de baixo orçamento, saindo totalmente da sua zona de conforto e explorando novos gêneros: conheça ‘Sweetbitter’ e ‘Vida’.

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Sweetbitter

Inspirada no livro original de Stephanie Danler, a trama gira em torno de  Tess (Ella Purnell), uma jovem de 22 anos que se muda de sua cidadezinha do interior para Manhattan e, logo após chegar à Nova York, consegue um emprego como garçonete em um badalado restaurante no centro da cidade.

A série começa muito bem, apesar do primeiro episódio entregar muita coisa. Começando com a mudança da protagonista para a cidade grande, vcoê não sabe absolutamente nada de Tess, apenas que ela almeja um recomeço. Particularmente, acho isso brilhante, pois você vai desvendando a personalidade da personagem em um ambiente totalmente diferente para ela, então acaba sendo novo pra você e para a protagonista. Os desastres se iniciam assim que ela começa a trabalhar: seu chefe, Howard, é uma figura séria e exigente; os seus colegas de trabalho são extremamente competitivos e nada receptivos, tornando sua transição ainda mais difícil.

A princípio, é difícil gostar de Tess. Embora você sinta empatia pela personagem, é inegável que a moça não tem muita presença. No entanto, isso muda a partir do segundo episódio, quando a jovem compartilha uma intrigante história de sua infância envolvendo John Lennon e ceticismo.

Não se deixe enganar pelas aparências: Sweetbitter está longe de ser uma série bobinha. Apresentando uma tonalidade extremamente fria e sem cores chamativas. Apesar de ilustrar bem o tom solitário da história, essa escolha artística te mantém confortável ao longo da narrativa. É uma produção simples e bem construída, que consegue te prender do início ao fim. É impossível não se perguntar como Tess vai lidar com sua caótica e punitiva nova vida.

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Vida

Emma (Mishel Prada) e Lyn (Melissa Barrera) são duas irmãs com vidas completamente diferentes e separadas uma da outra. Depois da morte de sua mãe, Vida, tudo altera drasticamente.  As irmãs latino-americanas terão que sair dos EUA para o México para cuidar do funeral de sua mãe. Chegando na cidade e no bairro onde cresceram, elas vão se deparar com o passado e uma série de transformações e revelações pra lá de inesperadas: uma delas é que sua mãe era casada com outra mulher.

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Emma é uma mulher de negócios bem sucedida,  que não falava com a mãe havia um tempo por causa de algum desentendimento. Séria e obstinada, Emma está determinada a vender o prédio que sua mãe deixou para as filhas e a esposa. Mas o mais interessante da protagonista é que ela tem um segredo, que conseguimos compreender de primeira: ao descobrir sobre o casamento de sua mãe, ela fica furiosa e a chama de ‘hipócrita’. Além disso, é possível notar umas faíscas entre Emma e uma outra personagem chamada ‘Cruz’. É visível que as duas moças têm um história juntas e que algo deu errado no caminho, provavelmente pela falta de compreensão da falecida Vida na época. A irmã mais nova, Lyn, é infinitamente diferente. Apesar de ser completamente irresponsável e sem nenhuma perspectiva de vida, Lyn tem um grande coração e é muito amorosa. Durante sua visita ao México, ela se deixa envolver por um amor antigo, sem imaginar que isso pode dar mais errado do que pensa.

Diferente de Sweetbitter, Vida é mais pesado e mais explícito. É uma produção com uma enorme carga emocional e uma série de intrigas entre os personagens tão intrigante que é impossível não se deixar envolver.

Tanto Sweetbitter como Vida são séries de 30 minutos, possibilitando uma maratona bem gostosa ou pouco tempo da sua rotina para manter a série em dia. Para quem gosta das produções ambiciosas do Starz, vale a pena conhecer o outro lado do canal.

Comentários

Ana Barbosa

Estudante de Jornalismo, feminista e enaltecedora de mulheres na arte. Viciada em séries, principalmente em Doctor Who, compra mais livros do que consegue ler e não recusa um café. A típica canceriana que chora em todos os filmes que assiste, ou pelo menos quase todos.

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