Coluna do Pedro | Ariana Grande se diferencia dos álbuns de 2020 com positions

Ariana Grande está de volta depois de nos deixar por pouco tempo. A menina está em uma constante produção musical, sem deixar os olhos da mídia por um segundo sequer. A militante da quarentena, além de ter dado orgulho para a OMS durante todo esse tempo, preparou mais um álbum para quebrar recordes no Spotify. 

Mantendo o ritmo de ter um lançamento por ano, Ariana anunciou que liberaria o single que dá nome ao novo trabalho pouco tempo antes de disponibilizar todas as faixas. A cantora continua se mostrando uma das que está mais ciente de como fazer uma música se tornar hit na era dos streamings*. 

Todo o burburinho em cima do novo single é que ele seria o mais sexy de toda a carreira e, quando ela apareceu na Casa Branca, no meio das eleições estadunidenses, falando sobre trocar a posição com o parceiro, eu entendi todo esse burburinho. Apesar de ter precisado de um tempo e algumas ouvidas para gostar de verdade de Positions, sempre foi inegável que a música é boa. Bem produzida e com uma letra de duplo sentido divertida. 

Para ser sincero, essa é a vibe de todo o álbum. Assim como o single principal, ele é inteiramente bem produzido, coeso e não está tentando levar nenhuma mensagem pretensiosa. E, além disso tudo, está na zona de conforto da Ariana. Ela entra de cabeça no R&B, sem abandonar por completo as influências trap – que aparecem bem mais tímidas aqui do no thank u, next, e sem deixar de ser pop. Resumindo, ele todo é inegavelmente bom, mas sem nenhuma novidade e sem, ironicamente, algo devidamente excitante. A melhor parte dessa sonoridade é ouvir música pop em 2020 que não tem influência disco. 

Eu tinha muitas expectativas para a faixa inicial, já que é costume em seus álbuns vir uma introdução com vocais poderosos. Não é exatamente o que esperava, mas “shut up” resume bem o que ela traz durante todo o disco e ainda tem toda um instrumental da Broadwayrístico, um afago pra quem (eu) tem vontade de ver ela lançando uma coletânea de covers de musicais. 

Assim, no melhor estilo Valesca Popozuda, gritando que vai começar a putaria, ela segue com “34+35”, uma das melhores junto com “obvious”, “six thirty” (não é possível que seja só eu que achei extremamente satisfatório ela falando bullshit aqui) e a-outra-com-referência sexual “pov”. Nessa, ela encerra o disco de forma simples e maestral, com os melhores vocais de todas as 14 faixas e com uma letra que acaricia o coração das inseguras e apaixonadas (eu). 

Depois de lançar um LP sem parcerias, as expectativas para que ela trouxesse bons amigos nesse eram altas – e ela correspondeu. Cantando novamente com o reizinho de 2020, The Weeknd, em off the table, Ariana Grande segue a cartilha do álbum certinho, com elementos que lembram o trabalho inicial do cantor, formando uma parceria muito coesa para ambas discografias. 

Tendo feito boas parcerias com cantoras, esperava muito de Ty Dolla $ing e sinto que foi uma versão menos legal da parceria com Weeknd. Em contrapartida, o melhor featuring desse álbum é a que animou muitos fãs: “motive” com Doja Cat. É boa demais, sendo uma das mais dançantes, traz um frescor para o disco como um todo e tem DOJA CAT escrita todinha nela, um dos poucos elementos que nos faz lembrar que estamos ouvindo um álbum de 2020.  

Sem a diversidade sonora do sweetener e sem o impacto cultural do thank u, next, esse disco parece planejado para ser uma transição. Vindo da melhor fase comercial de sua carreira, sinto que a cantora prepara o terreno para que seus fãs e o público entendam e aceitem sem reclamar um futuro trabalho completamente R&B. Colocando em termos conhecidos, fazer o que a Taylor Swift fez no Red e o que Miley Cyrus não fez entre o Dead Petz e o Younger Now.

* eu me sinto um velho da Rock Wins toda vez que uso esse termo

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