Crítica – Alerta Vermelho

É muito difícil assistir a Alerta Vermelho e não pensar no ponto que mais foi destacado durante toda a campanha de marketing do filme, que é a cifra de 200 milhões de dólares gastos, o fazendo conquistar o título de “Filme mais caro da história da Netflix”. Por si só, isso não quer dizer muita coisa. Orçamento grande nunca foj e nunca será garantia de qualidade, e se esse valor não saiu da minha cabeça enquanto assistia ao filme, é porque o tempo todo eu me perguntava: “para onde que esse dinheiro todo foi?

A resposta até que é fácil de descobrir, a função de toda essa grana é bancar o único grande chamariz do longa: seu estrelado trio principal, composto por Dwayne Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot, três atores no topo da carreira cujos projetos servem mais as suas personas do que qualquer outra coisa. Para não atrapalhar o brilho dos três, o diretor Rawson Marshall Thurber, que já trabalhou com Johnson em Um Espião e Meio e Arranha Céu, está atrás das câmeras para garantir que tudo ocorra como deve.

Isso porque Alerta Vermelho é menos um filme, e sim um produto criado meticulosamente nos laboratórios da Netflix para, bem, gerar mais produtos, já que as aspirações de franquia do longa são bem óbvias. A produção lembra o tempo todo de outras produções, melhores e mais interessantes, como meio de garantir o mínimo de interesse de quem está assistindo. Há toques de Missão: Impossível e Indiana Jones aqui e ali, como se a memória desses filmes imprimisse algo naquilo que está sendo visto, o que não é o caso.

A história do filme envolve a busca por três ovos de ouro de Cleópatra, presente dado a ela por um general romano com quem mantinha um romance. Após a morte do casal, os itens foram espalhados pelo mundo, um ficou em posse de um colecionador de arte, outro num museu italiano, e o terceiro, perdido para sempre. John Hartley (Johnson) é um agente do FBI que quer evitar que os ovos sejam roubados, objetivo do ladrão de arte Nolan Booth (Reynolds). Os dois, no entanto, acabam tendo que unir forças contra o Bispo (Gadot), uma famosa ladra que incrimina Hartley e o coloca na cadeia junto com Booth. O agente e o criminoso, então, iniciam uma jornada pelo mundo em busca do terceiro ovo e para limpar o nome de Hartley.

É até um cenário bem interessante para unir as três personalidades e criar uma relação dinâmica entre os três, mas Alerta Vermelho não é esse tipo de filme, mas somente (mais um) veículo para que Johnson seja ele mesmo, Reynolds uma versão de Deadpool e Gadot mais uma mulher badass para não ficar muito distante da Mulher Maravilha. Ninguém ali quer ir muito além do que já são.

É um filme que se mantém em certa zona de conforto sempre que pode, e isso envolve suas sequências de ação, que trabalham com o velho “falso dinamismo” criado pelo tristemente comum excesso de cortes nessas cenas, obscurecendo a coreografia das lutas e afins. Mesmo sendo uma produção que anuncia com pompa e circunstância os diversos locais do mundo por qual ele passa, pouco se aproveita desses pontos turísticos, e a narrativa se desenvolve de um lugar genérico para o outro, que sempre funcionam como “caixas” para ação acontecer. Um museu, uma sala de tesouro, uma prisão, e assim vai, mesmo os cenários externos, como uma floresta, nunca parecem ser nada mais do que um set com fundo de CGI.

Em suma, Alerta Vermelho existe em função de Gadot, Johnson e Reynolds – e isso não precisa necessariamente ser algo ruim. Missão: Impossível também existe mais em função de Tom Cruise do que qualquer outra coisa, mas se Cruise se preocupar em elevar outros aspectos que o cercam. A obra da Netflix não, querendo ser somente um produto com rostos conhecidos e fazendo o possível para que eles sejam o foco, com todo o resto sendo meramente funcional. É um filme utilitário, que existe para servir suas estrelas e à empresa. Bom para eles, nem tanto para todo o resto.

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