Missão: Impossível – Efeito Fallout é o melhor filme de ação do ano

Desde a década de 90, apenas duas franquias conseguiram dominar de forma quase absoluta o cinema de ação: 007 e Missão: Impossível. É claro que deve ser considerada a entrada de Velozes e Furiosos em 2001, porém é seguro dizer que seu sucesso foi mais comercial do que crítico. De volta aos primeiros nomes citados, ambos possuem ideias e inícios bem similares. A de James Bond começou em 1962, quando Sean Connery assumiu o papel de uma adaptação literária em 007 Contra o Satânico Dr. No. Já o segundo teve início quatro anos mais tarde, quando a série de TV foi ao ar, com Peter Graves como seu protagonista. As semelhanças continuaram até os dias atuais, quando as franquias de filmes ganharam suas forças, mas há uma diferença crucial: apenas uma delas possui Tom Cruise e muda, a cada novo longa, como fazer um filme de ação.

Em Missão: Impossível – Efeito Fallout, Ethan Hunt está tentando, junto com a IMF, conseguir 3 bombas com plutônio contra um grupo terrorista denominado “Os Apóstolos”. Porém, quando a missão dá errado, eles precisam correr contra o tempo para que diversas cidades no mundo não sejam destruídas.

É impressionante como Cruise parece cada vez mais tranquilo no papel principal. Ele parece ter dominado as telas de vez, assumindo um personagem que já é intrínseco ao ator. Nesse sexto episódio da franquia, seu carisma chega a caminhos realmente impressionantes, principalmente em termos de comédia – algo que pouco visto anteriormente. Talvez o principal responsável por isso seja sua incrível interação com Benji, novamente interpretado magistralmente por Simon Pegg.

Entretanto, outro destaque que não pode ser esquecido aqui é August Walker, feito por Henry Cavill. Ele é uma espécie de agente duplo, sem poder saber muito bem se seria um vilão ou herói. As discussões entre Walker e Hunt são responsáveis por momentos que variam dos mais hilários aos mais tensos, já que o estilo de luta feito por Cavill vai para um caminho mais bruto, mais próximo até ao seu próprio Superman. Algo diferente feito por Tom, que prefere momentos maiores, com mais perseguições e tiros.

Novamente, a ação aqui atinge níveis insanos, parecendo que a franquia quer crescer cada vez mais. O mais impressionante é que mesmo com esses momentos megalomaníacos – inclusive com a incrivelmente tensa sequência final -, o espaço para algumas situações menores, sem precisar de explosões em grandes cidades, parece ganhar seu espaço de vez. Isso tudo se deve a mais um excelente trabalho de direção por Christopher McQuarrie, que também comandou Nação Secreta. Ele parece trabalhar uma mistura perfeita entre situações gigantescas, engraçadas e de um suspense jamais visto antes dentro das obras.

O grande problema de McQuarrie aqui é no roteiro. Trata-se de um trabalho expositivo demais e de uma forma desnecessária para o que havia sido apresentado durante a projção. Esses momentos advém muito da personagem de Rebecca Ferguson, que fica muito sem ter o que fazer em boa parte da produção, tendo esses momentos de exposição reservados para a única mulher com maior desenvolvimento na trama.

A edição pareceu com um trabalho também mais preguiçoso aqui, já que em boa parte do longa situações e cenas se repetem apenas para que uma tensão, que havia sido formalizada antes, aumente. Isso corrobora para que as 2h28min de duração sejam um pouco demais, gerando algumas barrigas narrativas, que poderiam ter sido cortadas.

Por fim, a trilha sonora de Lorne Balfe possui momentos profundamente geniais, principalmente em cenas de briga, quando se prefere alguns pequenos efeitos de som do que realmente músicas que pudessem compor as ocasiões. Durante todo o clímax, Balfe coloca uma carga energética que faz qualquer telespectador suar frio e temer pela vida de todos ali, rememorando momentos únicos do terceiro filme, comandado por J.J. Abrams.

Missão: Impossível – Efeito Fallout é o melhor de toda a franquia, porque cria um filme único em termos de história e também com personagens cada vez mais marcantes. É uma produção que não esquece das raízes da saga, já que diversos elementos e comparações visuais ocorrem aqui. Se existia alguma dúvida que Tom Cruise havia dominado de vez o cinema de ação, esse questionamento se acaba aqui. Desde Mad Max: Estrada da Fúria era possível ser visto um derivado tão bom do gênero, mas com certeza essa boa onda não acabará aqui.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *