Crítica – Bad Boys Para Sempre

Bad Boys surgiu, inicialmente, como um filme único de Michael Bay. Começando sua carreira em longas depois de uma jornada exautisva de videoclipes diversos, Bay fez em 1995 uma produção que não tinha muitas intenções próprias e nem parecia buscar nada disso: era uma história clássica de dois policiais envolvendo ação e comédia. Essa espécie de subgênero já havia feito sucesso com Máquina Mortífera no fim dos anos 80 e inicio dos anos 90, então seria uma boa possibilidade de retomar isso. O até então jovem cineasta viu a obra fazer sucesso e conquistar o público, realizando então a sequência oito anos depois, como seu quarto longa.

Bad Boys II já trazia uma carga mais autoral ao diretor, que ganhou renome pelas suas intensas explosões de objetos cênicos (especialmente carros) em A Rocha, Armageddon e Pearl Harbor. Todos esses já traziam uma certa inventividade para realizar algo bem particular. Esses elementos soam como uma base para Bad Boys Para Sempre, o terceiro da franquia – que deverá ainda ganhar continuidades. Agora sem Bay na cadeira de comando, coube aos novatos Adil El ArbiBilall Fallah continuarem a série idealizando novidades. Michael, agora lembrado mais por Transformers, parece ter deixado sua realização menos megalomaníaca de lado. Esse resgate acontece aqui, mesmo sem ele atrás das telas.

O longa segue em uma toada contemporânea de sequências. Algo já realizado em Creed e Creed 2, além de O Último Desafio e Rambo IV/V. A ideia de envelhecer agora gera um fardo aos personagens em um contexto presente. Eles, totalmente rejuvenescidos em um passado, ultrapassando de limites até éticos, agora adentram em uma aceitação sobre seu estado atual no mundo. Mike (Will Smith) ainda quer viver o presente, focando totalmente em ainda ser um grande nome dentro da polícia. Ele sofre um baque nisso após ser baleado por uma figura misteriosa que remete ao seu passado. Marcus (Martin Lawrence), um já contraponto nos outros filmes, quer apenas aceitar que precisa se aposentar. Após o acidente do amigo, ele toma essa decisão como certa.

É interessante o papel como esse debate sobre o peso do passado encontra-se aqui. Os diretores parecem buscar menos uma relação direta nos diálogos disso, trazendo esses elementos para uma realização corpórea dos protagonistas (a barriga de Marcus traz bem isso) e, ao mesmo tempo, realista. Será que eles conseguem combater o que viria pela frente? O estilo rápido de luta do vilão Armando (Jacob Scipio) traz uma caracterização totalmente oposta ao que eles enfrentam. A arma utilizada por esse como instrumento, é um mero artifício perto da sua capacidade de batalha. A colocação desse passado vivo para o personagem de Mike traz ainda mais elementos nesse sentido.

Diferente dos longas citados acima, esse se define através da ação como essa questão entre o passado e o futuro. Buscado como um peso a ser carregado nos exemplos, ela aqui vira uma realidade para a ação. Não é um peso, mas sim uma contestação. Aliás, é impossível agora apelar para algo material, por isso vemos aqui uma obra de cunho deveras religioso, que discute a maneira que os protagonistas agora lidam em sua vida no mundo. Isso é usado em um cunho mais dramático (após os tiros em Mike) e também de um trajeto mais cômico (na cena de perseguição próxima ao fim). Ambas discutem esse potencial da fé nos heróis e vilões do mundo de hoje. Eles ainda usam seu corpo como luta ou apenas é uma desculpa?

Ao trazer um peso jovial com a equipe que acompanha Mike e Marcus, Adil El ArbiBilall Fallah entedem a forma na qual a velhice afeta esse universo. Antes usando até da beleza para poder realizar ações, passando também por conflitos cada vez mais exagerados, hoje eles estão presente em uma eternidade temporal. O título do filme, Bad Boys Para Sempre, mostra como isso está mais diluído no tempo. Os antes heróis, não parecem mais tão exatamente certos em um mundo de hoje. Aliás, o que seria o certo nisso tudo? Eles deveriam sentir esse fardo e o peso do tempo passando? Estariam eles prontos para viver essa realidade? As respostas não parecem tão claras, mas quem disse que as perguntas são?

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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