Crítica – El Cid (1ª Temporada)

Game Of Thrones pode ter acabado com um suspiro ao invés de um estouro, mas a aclamação que teve até o seu contestado final foi o bastante para deixar sua marca no mundo das séries. E na era da Guerra dos Streamings, cada empresa quer um GoT para chamar de seu, e toda série medieval de fantasia ou não acaba carregando essas marcas, pelo menos de modo estético. Vide The Witcher,que apresenta seu mundo fantástico de modo bem cru e sombrio, similar a série da HBO. A Amazon também está nessa empreitada com a sua futura adaptação de Senhor dos Anéis, embora se espera que, para a obra de Tolkien, seus idealizadores adotem uma perspectiva mais consonante com o mundo apresentado.

Mas enquanto essa não chega, a Amazon investe no mercado espanhol com El Cid com ares épicos, mas bem distante da fantasia. A série conta a história de El Cid, também conhecido como Rodrigo Diáz de Vivar, guerreiro castelhano que viveu no século XI, época que a Hispânia (território que hoje compreende países como Espanha, Portugal e parte da França) estava dividida entre rivalidades cristãs e muçulmanas. As ações de El Cid nesse cenário se tornaram motivos de canções e chegou a ganhar um filme com Charlton Helston em 1961, com o mesmo nome da série.

Na produção, acompanhamos o jovem Rodrigo (Jaime Lorente), ou Ruy, como é conhecido pelos mais próximos, em sua ascensão nas batalhas travadas em nome do rei Fernando I de Leão (José Garcia Perez). Ao lado do filho deste, Sancho (Francisco Ortiz), de quem é escudeiro. Nessa primeira temporada, é possível ver os princípios da lenda, quando o personagem ganha seu título de “Campeador”, aquele que brilha no campo. Enquanto o protagonista trava batalhas, a corte é um emaranhado de conspirações, que tem como objetivo tirar o rei Fernando do trono.

Nesses dois eixos, a série constrói a sua narrativa, mas muito do que envolve esse lado conspiratório do seriado parece que existe apenas para ocupar tempo, já que toda esse ano soa como um grande episódio piloto, visto que os acontecimentos realmente relevantes ficam para acontecer somente ao final do quarto episódio e do último, que armam o cenário para um futuro muito interessante. Até chegar nesse ponto, entretanto, as ações dos conspiradores se resumem em tentar fazer coisas e falhar. Algumas situações até mesmo se repetem, já que o mesmo personagem, dá a mesma faca, para outro assassino, e pede que a mesma justificativa seja dada nos dois casos, “vingança”.

Quando o foco é em Ruy e Sancho, a produção ganha vida, especialmente por apresentar uma visão um tanto mais abrangente da época medieval do que estamos acostumados a ver, buscando sempre enfatizar a diversidade de culturas da época. Em uma cena particularmente memorável, ao chegarem em seu destino, um grupo de pessoas se divide em três tipos de reza diferentes. É também onde a influência de Game of Thrones mais se sente, especialmente devido ao modo como as batalhas são conduzidas, com a estética “suja” e sem se esquivar da violência. Toda a escala desses momentos é sentida, com o campo de batalha sendo frequentemente visto em planos abertos para que todo o conflito possa ser testemunhado, a série não tem medo de ser grandiosa.

Assim, a primeira temporada de El Cid, apesar de alongar muito certas coisas que poderiam ser transmitidas de modo mais eficaz, consegue amarrar as coisas bem o bastante para que a segunda temporada possa ter mais impulso narrativo – em um cenário bem diferente do que foi esta primeira.

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