Crítica – Homecoming (Segunda Temporada)

A primeira temporada de Homecoming trazia Julia Roberts como protagonista de uma história que envolvia suspense, drama e movimentações políticas. A produção do Prime Video buscava uma trama sobre um programa de ajuda a veteranos de guerra. O projeto, com o mesmo nome do seriado, fazia parte da empresa Geist, uma organização de um milionário que perdeu o controle da companhia. A grande questão por detrás do Homecoming é que, na realidade, ele é feito para criação de supersoldados, se aproveitando dos traumas nos conflitos armados. O projeto, porém, acaba não dando certo, acabando por apagar a memória de alguns desses soldados.

Um desses é Walter Cruz (Stephan James) que, na primeira temporada, possuía uma relação bastante complexa e até uma tensão sexual com Heidi Bergman (Roberts). No entanto, ele perde todas suas lembranças do projeto quando se encontra com Jackie (Janelle Monáe), a grande protagonista desse segundo ano. Essa começa sem memória em um bote no meio de um lago. Após conseguir fugir de lá, se encontra em uma espiral de confusões para poder compreender realmente quem ela é e o que estava fazendo ali. Esse grande ponto – e o que tem a ver tudo com Geist, e o programa aos veteranos de guerra – é o chamariz para o desenvolvimento dos sete episódios.

É curioso e bem empolgante como Homecoming é uma das poucas séries da atualidade que possui uma direção para todos os capítulos na temporadas. No primeiro ano foi Sam Esmail, criador da produção aqui e também da já clássica Mr. Robot. Agora, estamos em contato com a visão de Kyle Patrick Alvarez. Diretor de episódios e filmes que flertam fortemente com a tensão, Kyle não tem receio de imprimir todo seu pensamento aqui. Desde os primeiros minutos, o que mais vemos são planos longos,  que causam sempre uma expectativa dentro do público sobre o que poderá acontecer em sequência. Um dos exemplos é quando vemos a personagem principal em uma espécie de sanatório e Alvarez filma sua tentativa de fuga com poucos cortes, com frequente tensão entre o plano e contra-plano.

Nos poucos episódios, três a menos que na temporada anterior, vemos uma busca narrativa bem direta. Todos os acontecimentos giram em torno de poucos dias, algo colocado bem diretamente desde o grande twist do final do primeiro episódio. A partir do momento que entendemos o encadeamento desses atos, percebemos como estamos diante de um espiral – algo até bem similar aos capítulos dominados por Julia Roberts. Mas não pense que essa questão mais direta vá deixar o espectador menos perdido inicialmente, já que é bem claro como a ideia é sempre deixar o público esperando o que virá pela frente.

Aliás, é realmente curioso como esses poucos minutos da série em si (já que cada um dos sete possui apenas cerca de 30 minutos) busca a audiência cada vez mais. Cada novo twist gera ainda mais tensão, uma espécie de relação bem conectada com David Fincher ou até o cinema de Darren Aronofsky. Apesar disso, Kyle Patrick consegue sempre brincar com os ângulos afim de gerar sempre uma revelação sobre a complexidade – e confusão – desse universo.

Adaptada de um podcast de mesmo nome, Homecoming pode não ser o melhor ou mais original seriado na TV atualmente. Contudo, é uma produção que se solidifica cada vez mais por uma tensão cênica impressionante. Talvez faltasse para a obra conseguir fechar mais seus ciclos por si só. Na ideia de gerar um encadeamento entre as duas temporadas, parece que há sempre uma necessidade de se olhar ao passado, quando os desenvolvimentos desse segundo ano parecem muito mais interessantes e expansivos para o mundo apresentado. De toda forma, Sam Esmail acerta novamente em criar um roteiro se firme na curiosidade por parte do público, algo ainda melhor buscado nos sempre confusos planos de Kyle Patrick Alvarez. Se esses novos episódios já foram assim, o que esperar de uma terceira temporada? Bom, eu espero que chegue logo para podermos assistir.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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