Filmes para serem lembrados do Festival de Veneza

O Festival de Veneza de 2019 definitivamente ficará marcado. Não apenas pelas luxuosas apresentações de sempre ou até pela política forte, mas sim pelas escolhas. Primeiramente pelo fato da presidente do jurí no evento ter sido a cineasta Lucrecia Martel, a primeira mulher nesse cargo. Ela, logo no início, já havia apresentado uma certa rejeição a J’Accuse, filme dirigido por Roman Polanski. Esse, para os que não sabem, é o realizador de longas como O Bebê de Roseramy, porém é acusado de estupro desde os anos 80, sendo proibido de entrar nos Estados Unidos. Segundo, pelo fato dessa mesma ter dado o principal prêmio do evento – o Leão de Ouro – para Coringa, consagrando a primeira vitória de uma obra de heróis em festivais internacionais.

Pois bem, não foram apenas esses filmes que chamaram a atenção. Outras tiveram seu grande destaque, inclusive possivelmente aparecendo nas indicações a prêmios no fim do ano e início do próximo. Sendo assim, o Senta Aí resolveu selecionar 5 obras para você ficar de olho na trajetória delas daqui para frente:

– Coringa

 

Era impossível começar essa lista sem citar o grande vencedor do evento nesse ano. Afinal, quem a tempos atrás poderia imaginar que esse longa venceria alguma coisa em premiações ou poderia gerar alguma expectativa? Ultrapassando isso tudo, Coringa ganhou suas próprias forças e ainda se estabeleceu como uma das películas a tomar frente nas disputas futuras. Quem sabe um Oscar virá pela frente?

Bom, com certeza, dentre todos, o diretor Todd Phillips foi um dos mais chocados. Afinal, passar da trilogia Se Beber, Não Case para esse aqui sendo vanglorizado não é para qualquer um. E Coringa pode fazer ainda mais história.

– História de um Casamento

Noah Baumbach já se transformou em um dos diretores mais queridos do cinema independente. Após realizar Frances Ha, seu nome ganhou ainda mais destaque, o que o fez assinar um contrato de produção para a Netflix. O primeiro havia sido Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe e agora História de um Casamento continua essa parceria.

Apesar de não ter ganhado nenhum prêmio, o longa saiu bastante aclamado do festival, com uma média de 95 no Metascore. Era um dos candidatos a vencer o Leão de Ouro, mas acabou saindo de mãos abanandos. O fato de ser uma obra do canal de streaming pode sim pesar ao longo de toda a temporada de premiações, porém, definitivamente, Baumbach não pode ser um nome esquecido quando realiza algo.

Seu lançamento será nas plataformas digitais no dia 6 de dezembro.

– American Skin

Nate Parker ganhou seu renome internacional após realizar O Nascimento de Uma Nação, em 2016. Seu filme estava entre os possíveis grandes indicados para diversas categorias no Oscar, contudo esse clima foi positivo foi por água abaixo após o aparecimento de um caso de estupro envolvendo ele no ano de 1999. Passados esses 3 anos, Parker retorna para abordar, novamente, o racismo.

A produção ganhou o prêmio de melhor filme na mostra paralela de Veneza, a Sconfini. Spike Lee foi um dos mais elogiosos a Nate nesse novo trabalho, algo que pode ser um credenciamento para o futuro. Não se pode haver certezas sobre nada, mas é fato que ele ganha destaque após esse período de exclusão dentro da indústria cinematográfica. Se poderá ser uma abertura para maiores prêmios? Só os próximos passos poderão dizer.

– J’Accuse

Tendo estreado com muitos aplausos durante sua sessão em Veneza mostrou como Roman Polanski ainda consta com uma certa força entre fãs da sétima arte. J’Accuse aborda uma história pertinente sobre discriminação, algo ainda mais latente na sociedade contemporânea – na qual o ajudou para uma maior aclamação. Isso tudo só corroborou ainda mais com a vitória do Leão de Prata, o grande prêmio do júri.

É difícil dizer com clareza que Polanski poderá ter algum destaque internacional na temporada de premiações. São diversos fatores e a questão dos Estados Unidos ter uma rejeição maior pela sua figura pode ser fundamental. Todavia, é importante lembrar que esse é um dos filmes de maior destaque do cineasta em tempos. Pode pesar? Pela trajetória do mesmo, é dificíl dizer não.

–  About Endlessness

Roy Andersson é um diretor que ganhou sua fama por fazer obras reflexivas sobre a natureza humana, alinhando o drama e a comédia. Aliás, boa parte do cinema contemporâneo sueco é assim, algo na qual ganhou reforço apaixonado pelos diversos prêmios ao redor do mundo. Apenas para lembrar um deles, The Square foi o vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2017.

Com sua vitória como melhor diretor agora em Veneza por About Endlessness, ele credencia sua produção como uma possível candidata para filme estrangeiro e também – quem sabe – a própria direção. Com o sucesso há alguns anos de Um Pombo Pousou No Galho Refletindo Sobre a Existência, ele pode ser uma nova surpresa entre as categorias agora destacadas. Mais um nome vindo do mercado internacional e não apenas do americano.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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