O ótimo pop nacional de Luisa Sonza

Luisa Sonza surge no Youtube em 2014 com um canal de covers, coisa que era bem popular na época. Ganhando notoriedade, ela logo foi contratada para começar a produzir suas próprias músicas. Os primeiros trabalhos possuem uma sonoridade com algo pro lado MPB e sertanejo, contando com uma coloboração até de Luan Santana. No entanto, a faixa mais pop funk, “Rebola”, foi a que se tornou mais popular. Logo, ela soube que caminho seguir.

Devagarinho a fez ganhar atenção do público além do canal de vídeos e foi um grande sucesso; todavia, devido a essa exposição, a mesma virou alvo de muitas críticas. Desde falta de originalidade até escorada no seu marido, Whindersson Nunes. Mas isso não a impediu de virar meme com o seu hit “Boa Menina” e nem se ser chamada pra ser parte de trilha sonora de novela.

“Pior Que Possa Imaginar” foi o que veio depois e deu a entender o que seria o seu futuro álbum. Uma grande evolução dos singles solto que a artista havia realizado tempos antes. Deu para perceber a forma na qual Luisa estava levando o título dado para ela – até então – de a popstar brasileira. É minha preferida de todo o repertório da cantora. Com essas idas e vindas de toda sua pequena carreira, chegamos em Pandora, seu CD de estreia.

A abertura do álbum com a faixa “Eliane”, uma emocionante homenagem para sua mãe, é uma grata surpresa. Sonza lembra o que fazia nas primeiras músicas, mas com uma roupagem diferente e mais pop. Ponto para ela, pois é excelente. Existe um lado mais melancólico, outro nostálgico e outro até mais empolgante. É uma mistura perfeita para abrir as portas do trabalho.

E então ela vai de uma extremidade pra outra, pois a faixa seguinte é a incrivel “Garupa”, sua parceria com a drag Pabllo Vittar. Apresentando o melhor que o pop brasileiro tem feito ultimamente, as cantoras ainda fizeram um clipe lindo, dirigido pelos Primos. Tudo o que essa gay aqui precisava.

Em “Não Vou Mais Parar” e “Saudade da Gente”, Luisa está mais sensual do que o natural em suas músicas. O que é ótimo. Enquanto na primeira, ela entrega uma melodia cativante (que está na minha cabeça desde que ouvi pela primeira vez); na outra, ela está explícita. Coisa que eu não esperava, mas adorei. É um caminho meio até diferenciado no atual pop, especialmente pela necessidade de abranger o mercado internacional. Pode-se pensar, então, como uma decisão dessas é difícil e ousada.

“Fazendo Assim”, apenas no começo, me pareceu repetitiva. É possível até ter uma rememorização direta com “Devagarinho”, mas ela conquista com o tempo e tem seu lugar no álbum. Enquanto “Bomba Relógio” é outra parceira que dá super certo. Ambos, Vitão e Sonza, brilham em seus versos, mas quando sua vozes se juntam no final é quando temos a melhor parte da música.

E, fechando o CD como começou, temos “Apenas Eu”. Outra emocionante, mostra Luísa se despindo e dizendo para o mundo que ela quer apenas fazer o que quer, sem se preocupar. O que poderia ter saído brega, veio comovente e forte. É um caminho de sair da ideia meio melosa e abraçar um lado esteticamente diferenciado. Dessa maneira, Sonza já busca atingir a todos.

Com uma arte baseada na capa de Dangerous de Michael Jackson, Luisa Sonza faz um álbum de estreia coeso e, infelizmente, curto, onde mostra que tem talento o suficiente para estar ao lado de Anitta e IZA como uma das maiores cantoras pop do país. Deixando os que a criticavam sem argumentos, a artista abre sua caixa de Pandora e deixa espaço para as atuais ganharem o mundo. A grande questão é a expectativa já do que poderá vir a mais dali.

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