Os surgimentos e ressurgimentos de Adam Driver

Com 35 anos de idade é costume pensar que a maioria das pessoas vive o auge de suas carreiras. Se, para alguns casos, isso não acontece, para Adam Driver isso não é possível ser dito. Após ter começado como um nome jovem de destaque, ele viu sua carreira decolar após participação na franquia Star Wars. Dali para frente a vida de Driver não seria mais como antes. Ele, nesse instante, seria transformado em um dos nomes mais balados de Hollywood. Mas não dos filmes comerciais, e sim do cinema independente.

Apesar da vida artística estar em alta, nem tudo trilhava para esse caminho. O mesmo diz, em entrevista a M Magazine, que, durante sua adolescência, era um “desajustado”. Tacava fogo em objetos e chegou até a fundar um clube de luta com os amigos, inspirado no longa de 1999. Após finalizar o período colegial, ele foi vendedor de porta e atendente de telemarketing. Contudo, sua paixão por interpretar ainda estava rondando seus pensamentos. Por isso tentou uma vaga na Escola de Música e Artes Cênicas Juilliard School, porém foi rejeitado. 

Nesse meio tempo chegou até a tentar chegar em Los Angeles para seguir o sonho. Porém, ele foi interrompido literalmente. Seu carro quebrou no Texas e a falta de dinheiro o fez retornar para casa dois dias depois.

O grande baque em toda sua trajetória aconteceu no ano de 2001. Após os famosos ataques do dia 11 de setembro, Adam ingressou para o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, sendo designado para a Companhia de Armas. “Tudo começou quando eu estava tendo uma discussão com meu padrasto, e ele estava tipo, ‘Por que você não se une ao Corpo de Fuzileiros Navais?’ E eu fiquei ‘não!’”, contou o ator em entrevista a Rolling Stones. “Bem, talvez, na verdade … eu acabei indo e vi o recrutador e chamei atenção. Ele estava tipo ‘Você está fugindo dos policiais? Porque nunca tivemos alguém que queira fugir de nós tão rápido’”.

Seu serviço durou de 2002 até 2005, tendo servido por dois anos e oito meses. Sua carreira militar teve fim quando, em um passeio de moutain bike, ele quebrou o osso esterno. Após isso, ele estudou na Universidade de Indianápolis por um ano, fazendo outros testes e entrando para a Julliard School. De lá saiu em 2009 formado como bacharel em Belas Artes e conhecendo sua futura esposa Joanne Tucker, na qual está junto até os dias de hoje.

No ano de 2010 é aonde – de fato – sua estadia no mundo do cinema e das séries iniciou. Anteriormente realizando trabalhos para algumas produções da Broadway, ganhando diversos contatos. O período também foi marcado por ainda trabalhar como garçom para conseguir o dinheiro no fim do mês. Contudo, as pequenas aparições na série The Unusuals e no telefilme Você Não Conhece o Jack, o levaram para participar do filme J. Edgar, dirigido por Clint Eastwood. Sua carreira não seria mais a mesma, a partir de então.

Após esse estopim, no ano de 2012, o ator conseguiria o papel na qual modificou sua carreira: o de Adam Sackler, na série Girls, da HBO.  Mesmo com essa questão, seu foco não era a TV. Ele relutou bastante até realmente aceitar o papel. “Eu pensava: ‘TV é o diabo, qualquer coisa é melhor’, mas aí eu li o roteiro. Lena [Dunham] é uma escritora muito rara, muito despretensiosa. Quando as coisas se tornam preciosas ou sentimentais, isso mata para mim”, revelou para a Rolling Stones. O papel foi altamente elogiado pela crítica e o até então desconhecido, recebeu, durante os 5 anos de seriado, três indicações ao Emmy de Ator Coadjuvante.

Os anos posteriores ainda trariam muitos sorrisos a Adam. Ainda em 2012, ele pode participar da produção s, de Steven Spielberg, e começaria seu caminho de parceria com o cineasta Noah Baumbach, em Frances Ha. Em 2013, trabalhou com os Irmãos Coen e seu futuro parceiro de Star Wars, Oscar Isaac, em Inside Llewyn Davis. No ano seguinte, ainda venceria o prêmio Volpi Cup de Melhor Ator no Festival de Veneza, pela obra Hungry Hearts.

A trilha do sucesso estava acontecendo para o artista. Ele foi convidado para ser uma das estrelas da nova trilogia da franquia Star Wars. Interpretando o vilão Kylo Ren, seu personagem acabou por ser um dos mais comentados e elogiados em O Despertar da Força, de 2015, e Os Últimos Jedi, de 2017. Ele ainda estará em A Ascensão Skywalker, o fim da saga, na qual será lançado em dezembro desse ano.

Apesar desse maior estrondo na mídia, o ator preferia seguir no lado mais independente e de produções mais autorais. Por esse motivo, em 2016 e 2017, Driver realizou trabalhos com Jim Jarmusch (Paterson), Martin Scorsese (Silêncio), Steven Soderbergh (Logan Lucky) e, novamente, com Baumbach (Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe), todos com papéis relevantes.

Os últimos dois anos ainda demonstraram mais como seu nome está na pauta dos grandes diretores. Ele foi um dos protagonistas de O Homem Que Matou Dom Quixote, conturbada obra feita ao longo de anos por Terry Gilliam. Além disso, e talvez o principal, foi sua participação em Infiltrado na Klan, mais recente filme do diretor Spike Lee. O papel não foi apenas mais um, já que rendeu sua primeira indicação ao Oscar, na categoria de ator coadjuvante. Não houve uma vitória, entretanto isso não significou não ter sido motivo de comemoração.

Driver estará nos cinemas ainda nesse ano para sua mais nova empreitada com Jim Jarmusch. Na produção de zumbi Os Mortos Não Morrem, ele viverá o oficial Ronald Peterson. O longa, na qual estreou no Festival de Cannes, mostrou sua relevância devido ao elenco ao seu lado, contando desde Bill Muray e Tilda Swinton até RZA e Selena Gomez.

O ator ainda tem, para 2019, mais uma participação em um projeto do diretor Noah Baumbach, Histórias de Casamento, e o fim da atual trilogia de Star Wars. Pela frente ainda uma exploração de seu lado musical, em uma parceria com o cineasta Leos Carax, de Holy Motors.

Isso tudo demonstra sua forma de ter trilhado um caminho meio diferente dos grandes nomes do cinema. Mesmo tendo atingido seu estrelato mundial – e podendo ter seguido nisso -, ele preferiu explorar novas facetas de seu trabalho. Com isso, se transformou em o grande ‘queridinho’ do cinema independente americano da atualidade. Apesar de algumas pessoas ainda não saberem seu caminho para o sucesso, é inegável não perceber uma coisa: a cada novo filme em cartaz, Adam Driver pode estar por lá.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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