O que mais marcou o cinema em 2018

Definitivamente, 2018 foi um ano controverso para o cinema. Se nas bilheterias o destaque foi absurdo (rendendo até algumas surpresas), as críticas acabaram sempre sendo um tanto quanto controversas. Porém, o ano se mostrou importante a algumas grandes empresas e produtoras, que se mostraram de vez dentro da disputa pelo público – um destaque especial aqui a Netflix.

Os heróis

No cinema de heróis, tivemos 3 destaques gigantescos, todos relacionados à Casa das Ideias: Pantera Negra, Vingadores: Guerra Infinita e Homem-Aranha no Aranhaverso. Os dois primeiros tiveram tanto brilho perante os outros que acabaram até esnobando o esquecível Homem-Formiga e a Vespa. A comemoração desses 10 anos da Marvel Studios fizeram jus dentro da escala gigantesca de Guerra Infinita, culminando em um dos finais mais catárticos relacionado ao gênero de heróis em toda a história. A expectativa agora é gigantesca para a vinda de Vingadores: Ultimato. Em relação ao terceiro, ele trouxe uma nova roupagem ao amigão da vizinhança, em uma estética de animação totalmente inovadora e podendo trazer importantes influências para os próximos anos.

A DC/Warner e a Sony terão que correr, definitivamente, ainda mais atrás dentro dos live-actions. A primeira resolveu se segurar nesse ano – visto que em 2019 trará Coringa e Shazam! – e lançou nos cinemas apenas Aquaman. Apesar de ter sido bem recebido pelos fãs e pelo grande público, o filme do Rei dos Mares não teve unanimidade da crítica. Com a grande bilheteria, deverá ser rememorado com maior carinho nos próximos tempos. A segunda também veio com apenas uma aposta, porém, e impressionando a todo, totalmente certeira. Venom foi o estopim para o universo de vilões, prometendo gerar algo diferente e até bem único dentro do gênero, principalmente pelo seu lado assumidamente brega. Resta esperar.

Impossível não lembrar de algo relacionável aos heróis e não falar sobre a morte de Stan Lee. A morte do icônico quadrinista foi recebida com grande choque pelos fãs de cultura pop no mundo todo, Lee ainda fará parte das telonas, em algumas aparições vindas nos próximos longas da Marvel. Deverá ser uma despedida totalmente emocionante para uma das personalidades mais importantes culturalmente de todos os tempos.

Para finalizar, é importante rememorar um dos fatos mais marcantes do ano também: a saída de James Gunn do comando em Guardiões da Galáxia Vol.3. A notícia pegou a todos de surpresa durante a San Diego Comic Con, no dia em que o cineasta iria apresentar um painel para falar de uma nova produção sua. O motivo veio junto com a onda de defesa pela voz e direito de minorias presentes em Hollywood. Gunn havia realizado, antes de ter sido contratado pela Disney, comentários ofensivos e até brincando com pedofilia em seu Twitter pessoal. O caso acabou ganhando proporções enormes e gerou sua demissão.

Outros blockbusters

É impossível não destacar aqui a franquia Missão: Impossível. Com Efeito Fallout, a saga atingiu um dos seus patamares máximos de grandiloquência, entrando em diversas listas de melhores do ano – inclusive na nossa. A obra abriu espaço de disputa, espetacular aos fãs de ação, com Velozes e Furiosos, que terá um derivado ainda nesse 2019.

Bumblebee também foi outro grande espetáculo a parte, chamando muita atenção aos fãs de carteirinha de Transfomers. Seja pela sua relação mais próxima a saga, seja pela saída de Michael Bay da série, foi deveras impressionante a recepção do longa, com notas altíssimas em agregadores de crítica e recebendo diversos elogios do público.

Em destaques positivos, ainda podemos destacar: Jogador Número 1 e o retorno de Steven Spielberg aos grandes blockbusters, Deadpool 2 sempre irreverente (mas dessa vez sem chamar tanta atenção), o retorno de Os Incríveis depois de 14 anos. O sucesso da cinebiografia Bohemian Rhapsody e do filme musical Nasce Uma Estrela também elevaram o patamar musical nesse ano que passou.

O que será esquecido

É difícil delimitar com tanta certeza o que não será lembrado daqui a algum tempo, porém temos 3 exemplares bem claros, ainda que dois deles tenham sido grandes sucessos de bilheteria.

O primeiro se trata de Jurassic World: Reino Ameaçado. Além de ter sido esquecido por muitos logo no momento de sua estreia e quando ainda estava em cartaz, a película busca retomar uma nostalgia – já não muito funcional no primeiro – para gerar algo sem inspiração alguma. Junto com ele Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald formam uma dupla de continuações com mais sucesso de dinheiro do que de qualidade, em todos os sentidos. Nessa sequência do mundo bruxo, marcada bastante pelas polêmicas em torno da continuação de Johnny Depp no elenco, nem os maiores fãs da criação de J.K. Rowling parecem ter se agradado.

Por fim, Han Solo: Uma História Star Wars sacramentou uma das escolhas mais erradas da Disney em anos. Em primeiro lugar porque boa parte da audiência não parecia interessada na história do personagem e, o mais importante de tudo, seu lançamento próximo a Os Últimos Jedi gerou uma imensa frustração para os fanáticos. Pareceu ter sido já deixado de lado quando havia estreado.

O cinema autoral e a Netflix

O circuito independente e autoral sofreu com diversas discussões também em 2018. A principal delas se trata, obviamente, da polêmica em torno da Netflix poder disputar prêmios em festivais e nas grandes premiações que virão pela frente. O Festival de Cannes até havia deixado a participação da gigante de streaming, contudo foi recusada ao saber da não possibilidade de disputar a Palma de Ouro, maior prêmio do Festival. Tudo acabou ficando, então, para o Festival de Veneza, na qual premiou Roma com a sua maior glória de todas.

O canal vermelho ainda se solidificou ao produzir obras com nomes renomados, dentre eles Paul Grengrass e Sandra Bullock. 2019 ainda trará uma parceria milionária com Martin Scorsese, solidificando de vez o trabalho da empresa como um dos maiores nomes do mercado de entretenimento.

Aliás, o cinema autoral também marcou o ano com nomes voltando, destacando-se principalmente Spike Lee, com seu Infiltrado na KlanA estreia no terror e suspense de Ari Aster, com Hereditário, e John Krasinski, com Um Lugar Silencioso, demarcaram uma continuidade de sucesso e destaque do horror nos últimos anos, fato esse que deverá continuar ainda nos próximos.

Se no mundo das séries, o nome Netflix já trazia um certo selo de importância na produção original, o cinema começa a entrar em uma mesma pegada. Definitivamente, o cinema está mudado e 2018 serviu para provar de vez isso. É uma nova era de conteúdos originais, prometendo remontar e mexer com todas as grandes premiações daqui para frente.

Comentários

Cláudio Gabriel

É apaixonado por cinema, séries, música, quadrinhos e qualquer elemento da cultura pop que o faça feliz. Seu maior sonho é ver o Senta Aí sendo reconhecido... e acha que isso está mais próximo do que se espera.

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